
Razões para amar
sem porque*
Há algumas razões
para amar sem porquê.
Mas não posso
dizer com certeza
quais são elas.
Sabê-las com exatidão,
como quem resolve
uma multiplicação,
tornariam todas as coisas
estupidamente tangíveis
(o que acabaria
com o emprego dos poetas
e dos vendedores
de algodão doce).
No entanto,
posso me atrever
a citar ao léu,
despretensiosamente,
como quem rabisca
palavras ao vento,
algumas razões
nada definitivas
para amar
sem porque:
-Permitir passivamente que o sol
invada as esquinas do seu corpo;
-Escutar no vento
poemas nunca escritos;
-Dedilhar
melodias circulares no violão;
-Dedilhar
melodias circulares no peito;
-Dedilhar;
-Sonhar um vôo macio
e lento pela noite ;
-Saltitar quadrados
desenhados nas calçadas;
-Receber uma carta
e esperar até o último segundo
para abri-la;
-Escutar no escuro
a lenta respiração
da outra pessoa;
-Ver nas nuvens
uma onda do mar;
-Ver no mar
as nuvens do céu;
-Equilibrar pelas manhãs
um sorriso besta
em frente ao espelho
do banheiro;
-Perder-se no meio da leitura
e surpreender-se imaginando
sua própria história;
-Chutar uma tampinha
até a outra esquina;
-Afundar a cabeça no travesseiro
até não suportar o calor;
-Contar estrelas
até perder a conta
do que é estrela
e do que é você...
sem porque*
Há algumas razões
para amar sem porquê.
Mas não posso
dizer com certeza
quais são elas.
Sabê-las com exatidão,
como quem resolve
uma multiplicação,
tornariam todas as coisas
estupidamente tangíveis
(o que acabaria
com o emprego dos poetas
e dos vendedores
de algodão doce).
No entanto,
posso me atrever
a citar ao léu,
despretensiosamente,
como quem rabisca
palavras ao vento,
algumas razões
nada definitivas
para amar
sem porque:
-Permitir passivamente que o sol
invada as esquinas do seu corpo;
-Escutar no vento
poemas nunca escritos;
-Dedilhar
melodias circulares no violão;
-Dedilhar
melodias circulares no peito;
-Dedilhar;
-Sonhar um vôo macio
e lento pela noite ;
-Saltitar quadrados
desenhados nas calçadas;
-Receber uma carta
e esperar até o último segundo
para abri-la;
-Escutar no escuro
a lenta respiração
da outra pessoa;
-Ver nas nuvens
uma onda do mar;
-Ver no mar
as nuvens do céu;
-Equilibrar pelas manhãs
um sorriso besta
em frente ao espelho
do banheiro;
-Perder-se no meio da leitura
e surpreender-se imaginando
sua própria história;
-Chutar uma tampinha
até a outra esquina;
-Afundar a cabeça no travesseiro
até não suportar o calor;
-Contar estrelas
até perder a conta
do que é estrela
e do que é você...


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