sábado, 28 de março de 2009

Jogando conversa fora...

JOGANDO
CONVERSA FORA.


Acho que estou retrocedendo no tempo...rs
Imaginem vocês que ando com uma enorme propensão a admirar bichos de pelúcia!
Agora à pouco, vi um mouse da linha Kids da Clone, um Ursinho, e fiquei apaixonada por ele!!!
Uai! O que será que está acontecendo comigo?
Acho que passei do tempo dessas coisas...
Mas sou assim mesmo...

Às vezes, meu lado criança toma conta de mim e aí, chocolates, sorvetes, jogos, brinquedos, dança e música fazem festa na minha vida...
São momentos raros...

Sempre acompanhados da saudade
do andar de mãos dadas,
do sorrir sem medo,
do sentir-se feliz
e poder expor ao mundo...



Do beijo roubado,
do beijo explícito,
sem preocupar-se
com "o que os outros vão pensar"...


Essas coisas de adolescente
que ficam aqui,
guardadas
e a gente só não vive
porque fica medroso,
criterioso!


E quando percebe,
está velho e cansado demais
para fazer tudo isso...


E o que nos resta
é a televisão
na tarde de domingo
e nada além do que
dormir...
Alguns inventam um cachorro,
um jardim,
uma casa
ou os netos
para tomar conta,
acabando por se esquecer
que precisam inventar
coisas para si mesmos,
coisas que revertam
em sorrisos,
abraços,
companhia...


Porque o cachorro morre,
o jardim seca,
os netos crescem,
a casa fica para alguém...


Mas a presença amiga
e companheira de alguém
que ama você
e que é amado por você
é eterna,
mesmo depois
da partida.


Insubstituível, não somos...


Mas eu confesso que
não quero ser substituída!rs...


Quero ser,
estar,
ficar,
permanecer...
Quem sabe permanecer
como sempre fui?


Meio maluquinha,
meio criança,
meio sapeca,
mas
feliz...


Em algum lugar,
escondida,
está a chave que me trancou
atrás dos muros
do medo,
da indecisão,
do comodismo.


Com certeza
ela está nas mãos de alguém...


Talvez,
bem próxima de mim...
E quando eu conseguir encontrar
o portador dela,
vou gritar bem alto
pela minha liberdade,
pelo direito de ser
eu mesma...


Não vou cobrar
o que me tomaram...


Vou reconstruir
os meus sonhos,
os mesmos que embalaram
as minhas noites,
os meus dias
e as minhas fantasias
de felicidade.


E quando essa porta se abrir...


Ah, quando essa porta se abrir,
vou respirar fundo
e abraçar
o Sol.


Se haverá alguém
me esperando lá fora,
eu não sei...


Mas meu pensamento,
com certeza,
irá procurar
por um nome
em
especial...



O teu!


.............Débora Bellentani


by AC

quarta-feira, 25 de março de 2009

As mulheres são verdes


As Mulheres são Verdes

Conversando com um velho homem,
um jovem desabafou:
" Há tanto tempo venho querendo conhecer uma garota e hoje,
conseguindo falar-lhe por telefone,
fiquei decepcionado "
" Mas por que ? ", indagou o velho homem.
" Eu lhe perguntei timidamente

como ela era e ela - rindo! - respondeu: sou verde.
" E por que a resposta o chocou ? "
" Ora, amigo, ela estava debochando de mim !
"Ouvindo isso, o velho homem pôs-se a falar:
" Meu jovem,
você não entendeu que ela estava
se comparando a uma árvore "
" Árvore ? Como assim ?!? "
" Menino, as mulheres são como as árvores:
Elas fincam raízes no solo dos nossos corações;
Têm paciência e capricho com o próprio crescimento;
Seus braços são poderosos e,
ao abraçá-las, nossos espíritos recebem renovadas energias;
Elas amam e cuidam dos seus frutos,
mesmo sabendo que um dia
o mundo os levará para longe delas.
Outras - aquelas que não dão frutos - oferecem sua sombra
àqueles que necessitam de descanso;
Quando açoitadas por fortes ventos da vida,
elas emanam o perfume da força e da fé,
acalmando-nos, por mais assustadora que seja a noite;
Sua seiva são as lágrimas de dor
ou de alegria quando em presença do machado ofensor
ou do regador daqueles que as amam;
Seus corações vão alto o suficiente para escutarem
mais de perto os recados do céu;
Elas reverdecem as florestas dos homens,
as ruas das cidades,
as avenidas,
os acostamentos de estradas
e as beiras de rios;
Elas entendem o canto dos passarinhos e,
mais do que ninguém,
elas valorizam e protegem seus ninhos;
Suportam melhor a solidão
e as vicissitudes que a Vida às vezes nos impõe;
No mundo, elas nascem em maior número
para que o verde da esperança jamais empalideça.
Meu menino, todas as mulheres são árvores,
todas as mulheres são verdes.
"Ao final desse relato, refletiu o rapaz:
" Eu tenho um triste jardim no peito:
Nele está faltando uma árvore
" e correu para o telefone mais próximo ...

~~~~~~~~~~~~~~

"Todo homem tem um jardim no peito,
Feliz aquele que ali cultiva uma árvore"
By AC

Falo a língua dos loucos

Quem é que nunca teve um Marcelo, um Felipe, um Ricardo, um Júlio ou um Mario na vida?

Tudo bem pode ser uma Juliana, uma Natália, uma Ana, uma Patrícia ou uma Aline...

Paquerar é bom, mas chega uma hora que cansa!
Cansa na hora que você percebe que ter 10 pessoas ao mesmo tempo
é o mesmo que não ter nenhuma,
e ter apenas uma, é o mesmo que
possuir 10 ao mesmo tempo!
A "fila" anda,
a coleção de "figurinhas" cresce,
a conta de telefone é sempre altíssima.
Mas e ai?
O que isso te acrescenta?

Nessas horas sempre surge aquela tradicional perguntinha:

-Por que aquela pessoa pela qual você trocaria qualquer programa
por um simples filme com pipoca abraçadinho no sofá da sala
não despenca logo na sua vida???

Se o tal "amor" é impontual
e imprevisível que se dane!
Não adianta:
As pessoas são impacientes!
São e sempre vão ser!
Tem gente que diz que não é...
"Eu não sou ansioso,
as coisas acontecem quando tem que acontecer"

Mentira!

Por dentro todo ser humano é igual:
impaciente, sonhador, iludido...
Jura de pé junto que não,
mas vive sempre em busca
da famosa cara metade!
Pode dar o nome que quiser:
Amor,
alma gêmea,
par perfeito,
a outra metade da laranja...
No fim dá tudo no mesmo.
Pode soar brega, cafona...
Mas é a realidade.
Inclusive o assunto "amor" é sempre cafonérrimo.

Acredito que o status de cafona
surgiu porque a grande maioria das pessoas
nunca teve a oportunidade
de viver um grande amor.
Poucas pessoas experimentaram nesta vida
a sensação de sonhar acordada,
de dormir do lado do telefone,
de ter os olhos brilhando,
de desfilar com aquele sorriso de borboleta azul estampado no rosto...

Não lembro se foi o "Wando"
ou se foi o "Reginaldo Rossi" que disse em uma entrevista
que se a Marisa Monte não tivesse optado
pelo "Amor I love you"
e que se o Caetano não tivesse dito
"Tô me sentindo muito sozinho..."
eles não venderiam mais nenhum disco.
Não adianta,
o público gosta e vibra com o brega".
Não adianta tapar o sol com a peneira.

Por mais que você não admita:
- Você ficou triste
porque o Leonardo di Caprio morreu em Titanic "
e ficou feliz porque a Julia Roberts
e o Richard Gere acabaram juntos em "Uma Linda Mulher".

- Existe pelo menos uma música sertaneja ou um "pagodinho"
que te deixe com dor de cotovelo;

- Quando você está solteira e vê um casal aos beijos e abraços
no meio da rua
você sente a maior inveja;

- Você já se pegou
escrevendo o seu nome
e o da pessoa pelo qual você está apaixonada
no espelho embaçado do banheiro,
ou num pedacinho de papel;

- Você já se viu cantando
o mantra "Toca telefone toca"
em alguma das sextas-feiras de sua vida,
ou qualquer outro dia que seja;

- Você já enfiou os pés pelas mãos
alguma vez na vida
e se atirou de cabeça numa "relação"
sem nem perceber que você mal conhecia
a outra pessoa
e que com este seu jeito de agir
ela te acharia uma tremenda louca;

- Você, assim como nos contos de fada,
sonha em escutar um dia
o tal "E foram felizes para sempre..."

Bem, preciso continuar? Ok, acho que não...

Negue o quanto quiser,
mas sei que já passou por isso,
e se não passou,
não sabe o quanto está perdendo...

"O problema de resistir a uma tentação
é que você pode não ter uma segunda chance."

"Falo a língua dos loucos,
porque não conheço a mórbida coerência dos lúcidos"


terça-feira, 24 de março de 2009

Uma linda estória de amor...














John Blanchard levantou do banco,
endireitando a jaqueta de seu uniforme
e observou as pessoas fazendo seu caminho
através da Grand Central Station.

Ele procurou pela garota
cujo coração ele conhecia
mas o rosto não;
a garota com a rosa.

Seu interesse por ela
havia começado trinta meses antes,
numa livraria da Flórida.

Tirando um livro da prateleira,
ele se pegou intrigado,
não com as palavras do livro,
mas com as notas feitas á lápis
nas margens.


A escrita suave
refletia uma alma profunda
e uma mente cheia de brilho.


Na frente do livro,
ele descobriu o nome
do primeiro proprietário:


Srta. Hollis Maynell.


Com tempo e esforço
ele localizou seu endereço.


Ela vivia em New York City.


Ele escreveu a ela uma carta,
apresentando-se e convidando-a
a corresponder-se com ele.


Na semana seguinte
ele embarcou num navio para servir na II Guerra Mundial.
Durante o ano seguinte,
mês a mês eles desenvolveram
o conhecimento um do outro
através de suas cartas.

Cada carta era uma semente
caindo num coração fértil.

Um romance de companheirismo.
Blanchard pediu uma fotografia,
mas ela recusou.

Ela queria que ele realmente
se importasse com ela,
não importando como ela era,
ou sua aparência.

Quando finalmente chegou o dia
em que ele retornou da Europa,
eles marcaram seu primeiro encontro

- 7:00 da noite na Grand Central Station em New York.

"Você me reconhecerá"
ela escreveu,
pela rosa vermelha
que estarei usando na lapela",



Então, ás 7:00 ele estava na estação,
procurando por uma garota
cujo coração ele amava,
mas cuja face
ele nunca havia visto.

Vou deixar o Sr.Blanchard
dizer-lhe o que aconteceu:

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

"Uma jovem aproximou-se de mim.

Sua figura era alta e magra.

Seus cabelos loiros
caíam delicadamente
sobre os seus ombros,
seus olhos eram verdes como água.

Sua boca era pequena
e seus lábios carnudos,
e seu queixo tinha uma firmeza delicada.

Seu traje verde pálido
era como se a primavera tivesse chegado.
Eu me dirigi a ela,
inteiramente esquecido
de perceber que ela
não esta usando uma rosa.

Como eu me movi em sua direção,
um pequeno, provocativo sorriso,
curvou seus lábios.

"Indo para o mesmo lugar que eu marinheiro?"
-ela murmurou.

Quase incontrolavelmente
dei um passo pra junto dela,
e então eu vi Hollis Maynell.


Ela estava parada
quase que exatamente
atrás da garota.


Uma mulher já passada dos 50 anos,
ela tinha seus cabelos grisalhos
enrolados num coque
sob um chapéu gasto.

Ela era mais que gorducha,
seus pés compactos
confiavam em sapatos
de saltos baixos.


A garota de verde
seguiu seu caminho
rapidamente.


Eu me senti como se tivesse
sido dividido em dois,
tão forte era meu desejo de segui-la
e tão profundo era o desejo
por aquela mulher
cujo espirito
verdadeiramente me acompanhara
e me sustentara através
de todos as minhas atribulações.

E então ela parou.

Sua face pálida e gorducha
era delicada e sensível,
seus olhos cinzas
tinham um calor e simpatia
cintilantes.

Eu não hesitei.

Meus dedos seguraram
a pequena e gasta capa
de couro azul do livro
que a identificou para mim.

Isto podia não ser amor,
mas poderia ser algo precioso,
talvez mais que amor,
uma amizade pela qual
eu seria para sempre
cheio de gratidão.

Eu inclinei meus ombros,
cumprimentei-a
mostrando o livro para ela,
ainda pensando,
enquanto falava,
na amargura do meu desapontamento.

"Sou o Tenente John Blanchard,
e você deve ser a Srta. Maynell.

Estou muito feliz que tenha
podido me encontrar.

Posso lhe oferecer um jantar?"
O rosto da mulher
abriu-se num tolerante sorriso.

"Eu não sei o que está acontecendo",
ela respondeu,
"Aquela jovem de vestido verde
que acabou de passar
me pediu para colocar
esta rosa no casaco.

E ela disse que
se você me convidasse pra jantar,
eu deveria lhe dizer
que ela está esperando por você
no restaurante de esquina.

E ela disse que isso
era um tipo de "TESTE"!
Não pareceu difícil, pra mim,
compreender e admirar
a sabedoria da Srta. Maynell.
Porque a verdadeira natureza
do coração de uma pessoa
é vista na maneira como
ela responde
ao que não é atraente.
by AC

domingo, 8 de março de 2009

A mulher de "Nova"


A MULHER DE NOVA

Estava eu na ante-sala do consultório,
quando peguei uma revista, a NOVA, e comecei a folhear.
Logo entrei em transe ao acompanhar a vida da MULHER DE "NOVA".

Ela tem atitude, seus cabelos têm brilho natural e ondulam ao vento.

Ela não caminha, desliza.

Tem idéias e opiniões contemporâneas.

Conhece o prazer de dirigir (inclusive sua própria vida).

É independente, mas quando quer, tem “alguém” com quem compartilhar idéias e sentimentos – "alguém" que também tem atitude, idéias próprias e opinião.

Ela é batalhadora, linda e inteligente – tudo ao mesmo tempo – AGORA!

Seu corpo não pede – exige.

Seus dias se passam em sessões de massagem, hidroginástica, dentista, psicólogo (ou tarólogo).

E - por que não - no escritório, dando ordens, fazendo ou aprovando projetos.

Tem profunda preocupação social: não perde uma exposição do Sebastião Salgado.

Diverte-se sem culpa, suas calorias são controladas por nutricionista.

Faz viagens inesperadas – quando se pensa que está em New York, acabou de embarcar para umas férias no Taití.

Ano passado, esteve no Tibete (meditando)

já este ano quer conhecer a Grécia.

Suas mãos são sedosas e os longos dedos terminam em unhas de porcelana, prontas para carícias felinas.

Está sempre a fim de gente nova, novos ambientes, e uma incrível vontade de mudar, principalmente os móveis, o que faz anualmente.

Seus saltos parecem providos de amortecedores.

É com eles que sai à noite, principalmente ao teatro ou alguma balada hot.

Seu papo é brilhante – e sempre alvo das atenções.

Usa decotes vertiginosos,
tipo Nicole Kidman.

Atualmente está indecisa entre o atual e um ex.

Nunca deixa que problemas domésticos alterem seus planos.

Ao menor sinal de estresse, toma longos banhos de ofurô com pétalas de rosa (e velas – não se sabe bem por que).

Impossível acompanhar seu pique.

Seu celular tem câmara digital pra transmitir aos amigos “todos os lances” no fotoblog.

Sente-se flutuar quando ganha jóias, coisa que lhe acontece com freqüência.

Mas não perde a cabeça e tem sempre os pés no chão.

As boutiques exclusivas a recebem de braços abertos.

Faz o gênero básico, mas com um toque elegante e pessoal.

Não repete o mesmo vestido, ou guarda-o para outra estação,
como Costanza Pascolato.

Vem posando para um pintor naíf, que já ultrapassou a fase azul.

Sua pele saudável e lisa não depende da idade, mas de sua inteligência e um pouco de botox, mas não confessa isso nem sob tortura.

Malha numa academia três vezes na semana, e o umbigo é uma pequena taça adornada com um piercing de brilhante.

É sensível, provocante e bem relacionada.

Levanta sempre de bom astral, graças às noites bem dormidas com ½ dormonid, e sai de casa só depois de um longo breakfast de sucos e frutas, e muitos, muitos telefonemas.

Acha que dinheiro não traz felicidade, mas pode proporcionar bons momentos de prazer. Quando entediada, “discute a relação” numa boa.

Ou vai ao cirurgião plástico.

Ou nada em sua piscina de azul cristalino.

Seu dia tem mais de 24 horas, tantas e tamanhas são suas atividades.

Para compensar, tem reserva num hotelzinho de charme na Provence, passando na volta em Paris, com esticada ao Buddha Bar, é claro.

Nunca aparenta ciúme – é self confident.

Quando quer aperfeiçoar o inglês, faz uma semana de "imersão" na região serrana.

É magra por opção, com leves pitadas de silicone.

O corpo está sempre pronto para o bikini.

Ousada, encara com firmeza os membros do conselho da empresa, e, ao final das reuniões, dá seu voto de Minerva.

Seus palpites são originais e aprovados pela maioria.

Aceita o sucesso com tranqüilidade e quando volta do exterior recebe os amigos com bufê do Charlô ou da Mena Barreto.

Tem fotografado com Mário Testino, mas gostaria de ter posado para Andy Warhol ou Dick Avedon.

Sempre deixa seu amor à vontade, não pede explicações para que não se sinta ameaçado.

Tem o bumbum durinho, as pernas são verdadeiras colunatas; os pés, fetiches irresistíveis, montados em sandálias Prada.

Sabe pegar leve, sorri com dentes perfeitos, seu perfume é sutil mas duradouro.

É curiosa na dose certa.

Atenta aos detalhes, não faz perguntas indiscretas, embora sempre saiba das últimas.

Sua fantasia sexual é ter 9 e 1/2 semanas de amor com ... (não revela), lambuzada de chocolate e merengue, numa pousada de sonho que pertence ao Paulo Zulu, com acesso a praias agrestes e exclusivas.

Enfim, é dinamite pura, ainda mais com essas bolinhas tailandesas que comprou num sex shop; também é mestre nas artes do pompoar.


~~~~~~~ Neste ponto, vi-me sentindo a pior das criaturas... Foi quando a atendente chamou e saí do transe, aliviada. Definitivamente, estou fora de mercado...

quinta-feira, 5 de março de 2009

Memórias

“(...)A memória pertence ao passado.
É um registro.
Sempre que a evocamos se faz presente,
mas permanece intocada,
como um sonho.
A percepção do real tem a concreteza,
a realidade física, tangível.
Mas como os instantes se sucedem feito os tique-taques do relógio,
eles vão se transformando em passado,
em memória,
e isso é tão inaferrável como um instante nos confins do tempo.
Escrever pode ser,
ou é,
a necessidade de tocar a realidade que é a única
segurança de nosso estar no mundo – o existir.
É difícil,
se não impossível,
precisar quando as coisas
começam dentro de nós...”.

(CAMARGO, Iberê – Gaveta dos Guardados).

Quase

QUASE...
Ainda pior que a convicção do não,
e a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase.



É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido
e não foi.



Quem quase ganhou
ainda joga,
quem quase passou
ainda estuda,
quem quase morreu
está vivo,
quem quase amou
não amou.



Basta pensar nas oportunidades
que escaparam
pelos dedos,
nas chances
que se perdem por medo,
nas idéias
que nunca sairão do papel
por essa maldita mania
de viver
no outono.



Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher
uma vida morna;
ou melhor não me pergunto,
contesto.



A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "Bom dia",
quase que sussurrados...


Sobra covardia e falta coragem
até pra ser feliz.



A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.



Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre
a alegria
e a dor,
sentir o nada,
mas não são...


Se a virtude estivesse mesmo
no meio termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.



O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige
nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz
dentro de si...


Não é que fé mova montanhas,
nem que todas as estrelas
estejam ao alcance,
para as coisas
que não podem ser mudadas,
resta-nos somente
a paciência...


Porém,
preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade
de merecer.


Pros erros
há perdão;
pros fracassos,
chance;
pros amores impossíveis,
tempo.


De nada adianta cercar
um coração vazio
ou economizar alma.


Um romance
cujo fim é instantâneo
ou indolor
não é romance.




Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo
impeça de tentar.



Desconfie do destino
e acredite em você.



Gaste mais horas realizando
que sonhando,
fazendo
que planejando,
vivendo
que esperando
porque,
embora quem quase morre
esteja vivo,

quem quase vive

já morreu...


(Luiz Fernando Veríssimo)

Amo-te

















"Algum dia eu haveria de entrar
na normalidade
dos que te amam.
Amo-te.

E dói escrevê-lo
(que é pior, meu amor, do que dizê-lo).
Amo-te,
absoluta, impossível e fatalmente.

E ouço, adolescente, uma música adolescente,
para me lembrar de ti,
porque lembrar-me de ti é lembrar-me que não consigo esquecer-te.

E ouço música porque ouvimos música quando amamos,
e tudo, no amor, é música,
acústica da alma que se quer ser devorada, e,
neste caso, dor
(tão deliciosamente insuportável)
de amar sem sequência
nem expectativa de contrapartida, amar unicamente o puro objeto
que desgraçadamente amamos.


Isto é uma carta de amor,
e é possivelmente ridícula
(prova maior de que é, realmente uma carta de amor),
ou porque perdi o hábito de as escrever, ou porque nunca tive
a coragem de as enviar. Não percebes porque é que não te falo?

Ainda não percebes que,
na personagem que de mim eu enceno,
não cabe a ameaça de uma derrota,
a antecipação do desencanto,
a sombra de um vexame?


Não te falo,
para não saber que o que eu te digo
é apenas a forma contida de
te dizer outra coisa,
mas que essa coisa não é do teu mundo,
nem do mundo que eu construí,
nem do precário mundo que a
nossa fragilíssima ternura mútua arquitetou.


E tudo isto é literário,
eu sei,
mas "que queres" - a literatura é o melhor de mim
e é o melhor de mim que vive
dentro da minha cabeça
quando estou contigo. .... E é verdade,
é cada vez mais verdade,
que, quando penso nas coisas que ainda me falta fazer na vida,
é em ti que penso.


E tenho medo, como um animal que instintivamente
foge do que sabe não poder atingir. Eu penso em ti,
ainda mais do que te digo,
e tu estás em tudo,
mesmo quando não te penso,
tu és a grande razão,
o horizonte sem nome que constantemente se
desenha na minha
imaginação de mim."

[António Mega Ferreira, in "Amor"]

Se você puder...

Se você puder manter a calma,
quando todos à sua voltajá a perderam,
culpando-o por isso;


Se você puder confiar em si,
quando todos duvidam de você,mas puder também
levar em consideração
as dúvidas deles;


Se você souber esperar
e não se cansar de esperar,ou ao ser enganado,
não recorrer à infâmia,ou ao ser odiado,
não der espaço para a raiva,e não queira, nunca,
nem parecer muito bom,
nem muito sábio;


Se você puder sonhar
– e não fazer dos sonhos o seu senhor;


Se você puder pensar
– e não fazer de seus pensamentos a sua meta;


Se você puder confrontar-se
com o triunfo e com a derrotae tratar estes dois impostores
da mesma maneira;

Se você puder ouvir
o que você falou ser distorcidoem armadilha para apanhar os ingênuos,ou ver destruídas as coisas
pelas quais você deu a sua vida,juntar os pedaços,
e reconstruí-las com base
nos mesmos princípios;

Se você puder juntar
todas as suas vitóriase colocá-las todas em risco
num tudo ou nada,e perder,
e iniciar tudo outra vez,
desde o começoe nunca deixar escapar
uma só palavra sobre suas perdas;

Se você puder forçar seu coração,
seus nervos e seus músculos,para recomeçar tudo
depois deles se terem esgotado,e ainda agüentar
mesmo quando
não há mais nada em vocêexceto o desejo
para dizer para eles:
“Agüentem!”

Se você puder conviver com o povo
sem perder suas virtudes,ou conviver com os reis
sem perder sua simplicidade;

Se nem os desafetos
e nem seus melhores amigos
puderem machucá-lo,

Se muitos contam com você,
mas nenhum depende só de você;

Se você puder preencher o valor
do inclemente minuto perdidocom os sessenta segundos
ganhos numa longa corrida,
sua será a Terra,
junto com tudo que nela existe,

e - mais importante –

você será um Homem, meu filho!



(Rudyard Kiplin)

Sinto saudades...


Sinto saudades
de tudo que marcou
a minha vida.
Quando vejo retratos,
quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz,
quando me lembro do passado,eu sinto saudades...Sinto saudades
de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem
não mais falei ou cruzei...Sinto saudades
da minha infância,do meu primeiro amor,
do meu segundo,
do terceiro,do penúltimo
e daqueles que ainda vou ter,
se Deus quiser...Sinto saudades
do presente,que não aproveitei de todo,lembrando do passadoe apostando no futuro...Sinto saudades
do futuro,que se idealizado,provavelmente não será
do jeito que eu penso
que vai ser...Sinto saudades
de quem me deixou
e de quem eu deixei!


De quem disse que viriae nem apareceu;de quem apareceu correndo,sem me conhecer direito,de quem nunca vou ter
a oportunidade de conhecer.Sinto saudades
dos que se foram
e de quem
não me despedi direito!Daqueles que não tiveramcomo me dizer adeus;de gente que passou
na calçada contrária
da minha vidae que só enxerguei
de vislumbre!Sinto saudades
de coisas que tivee de outras que não tivemas quis muito ter!Sinto saudades
de coisasque nem sei se existiram.Sinto saudades
de coisas sérias,de coisas hilariantes,de casos, de experiências...Sinto saudades
do cachorrinho que eu tive um diae que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer!Sinto saudades
dos livros que li
e que me fizeram viajar!Sinto saudades
dos discos que ouvi
e que me fizeram sonhar,Sinto saudades
das coisas que vivie das que deixei passar,sem curtir na totalidade.Quantas vezes tenho vontade
de encontrar não sei o que...não sei onde...para resgatar alguma coisa
que nem sei o que é
e nem onde perdi...Vejo o mundo girando
e penso que poderia
estar sentindo saudades


Em japonês, em russo,em italiano, em inglês...mas que minha saudade,por eu ter nascido no Brasil,que só fala português,
embora, lá no fundo,
possa ser poliglota.Aliás, dizem que
costuma-se usar sempre a língua pátria,espontaneamente quandoestamos desesperados...para contar dinheiro...
fazer amor...declarar sentimentos fortes...seja lá em que lugar do mundo estejamos.Eu acredito que um simples"I miss you"ou seja lácomo possamos traduzir
saudade em outra língua,nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.Talvez não exprima corretamentea imensa faltaque sentimos de coisasou pessoas queridas.E é por isso que eu tenho mais saudades...


Porque encontrei uma palavrapara usar todas as vezesem que sinto este aperto no peito,meio nostálgico, meio gostoso,mas que funciona melhordo que um sinal vitalquando se quer falar de vidae de sentimentos.Ela é a prova inequívocade que somos sensíveis!
De que amamos muitoo que tivemose lamentamos as coisas boasque perdemos
ao longo da nossa existência..."


~~~~~~~~Clarice Lispector - saudades

De manhã escureço

"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.



A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.



Outros que contém
Passo por passo:

Eu morro ontem.


Nasço amanhã
Ando onde há espaço
Meu tempo
é quando."






Poética
– Vinícius de Moraes

Derrière

Tinha, como direi, eu,
que sou uma senhora a seu modo
pacata e até pudica, uma, ou melhor,
um derrière esplendido

Não é preciso ser homem
pra essas avaliações.


Firme em definidos
e perfeitos contornos,
rebelde ao disfarce
das saias e anáguas
daquele tempo,
inscrevia-se na cara
de sua dona, que,
movendo os olhos
como as ancas,
subia a rua
em falsa pudicícia,
apregoando-se:
tenho!


Os homens ficavam loucos.


Eu era mocinha boba e escutei
no armazém do Calixto
ele dizer pro Teodoro,
meu futuro marido,
naquele tempo preocupado em fazer
bodoques de goma:
- Eh, ferro!


O Vicente não vai dar
conta daquela ali, não.

É preciso muita saúde.

Calixto falava com o Teodoro
do que eu suspeitava serem
os tesouros da Oldalisa
e ela nem aí, toda toda,
sobe e desce rua.


Exatamente o que era
me escapava,
só podia ser coisa
de homem e mulher.

Felicitei-me por estar viva
e participar de segredos
tão excitantes.


O Vicente era muito magrinho,
não jogava bola,
não nadava,
"não salientava em nada",
o Vicente
Cisquim.


Pois foi dele que a Raimunda
— como o Calixto chamou ela naquele dia
— gostou.

Casaram e tiveram pencas de filhos.


O Calixto ficou chupando o dedo.


Ser bonitão e dono de armazém
não contou ponto pra ele.


Pois é, falou o Teodoro, hoje,
assim que botou o pé em casa:

O que é a tecnologia, hein?
Tecnologia?
É o avanço da medicina.


Teodoro falava era do avanço do tempo.

Tou aqui matutando, disse ele,
porque a Oldalisa escolheu o Vicente,
não tem base.

Tô vendo aquela dona
pegando as compras
no caixa e...

Plim!


Era ela, a velha senhora.

A Oldalisa do Vicente?

É. O Vicente estava junto?

Não.


Estava com duas alianças e um menino,
neto dela com certeza.

Será que o Vicente
morreu da praga do Calixto?

Acho que não, porque eu procurei
o traseiro da Oldalisa e nada da olda,
só mesmo a lisa, magra e murcha.


Ter encontrado a Oldalisa expropriada
de seu dote mais tentador
deixou Teodoro bem filosofante
sobre as agruras do corpo.


Teria ele também sido
um apaixonado da Oldalisa
e eu corrido sérios riscos?


Porque amor não olha idade,
não é mesmo?


Agora, daquela do escritório
eu tive, medo
não, por causa
de meus outros poderes,
tive inveja.

A uma cintura de vespa
seguia-se,
instruída e fatal,
o que a Oldalisa
trazia com inocência.


Batia à máquina,
agarradinha no Teodoro,
de saia justa
e batom cor de sangue.

O apelido dela na firma
era Corrosiva,
e foi Teodoro quem pôs.

Se chamava Rosiva,
a perigosa.


Imagina o risco que eu corri


O Desbunde ~ Adélia Prado

Humildade

Senhor,
fazei com que
eu aceite minha pobreza
tal como sempre foi.

Que não sinta
o que não tenho.

Não lamente
o que podia ter e se perdeu
por caminhos errados e nunca mais voltou. Dai, Senhor,
que minha humildade seja como
a chuva desejada caindo mansa, longa noite escura numa terra sedenta e num telhado velho. Que eu possa
agradecer a Vós, minha cama estreita, minhas coisinhas pobres, minha casa de chão, pedras e tábuas remontadas.

E ter sempre
um feixe de lenha debaixo do meu
fogão de taipa, e acender,
eu mesma, o fogo alegre da minha casa na manhã de um novo dia
que começa.”

Cora Coralina



~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
e se for assim Senhor...
Mais? Prá que?

segunda-feira, 2 de março de 2009

A Alma dos diferentes

Ah, o diferente,
esse ser especial!

Diferente não é quem
pretenda ser.

Esse é um imitador
do que ainda não foi imitado,
nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado
de alguns mais
e de alguns menos
em hora,
momento
e lugar errados
para os outros

– que riem de inveja
de não serem assim;

e de medo de não agüentar,
caso um dia venham a ser.


O diferente
é um ser sempre
mais próximo
da perfeição.


O diferente
nunca é um chato.


Mas é sempre confundido
por pessoas
menos sensíveis
e avisadas.

Supondo
encontrar um chato
onde está um diferente,

talentos são rechaçados;

vitórias adiadas;

esperanças mortas...




Um diferente medroso,
este sim,
acaba transformando-se
num chato.



Chato é um diferente
que não vingou.

Os diferentes
muito inteligentes
percebem
por que os outros
não os entendem.



Os diferentes raivosos
acabam tendo
razão sozinhos,
contra o mundo inteiro.


Diferente que se preza
entende o porquê
de quem o agride.

Se o diferente
se mediocrizar,
mergulhará no complexo
de inferioridade.


O diferente paga sempre
o preço de estar

– mesmo sem querer

– alterando algo,
ameaçando rebanhos,
carneiros
e pastores.



O diferente
suporta e digere
a ira do irremediavelmente igual:

a inveja do comum;

o ódio do mediano.



O verdadeiro diferente
sabe que nunca tem razão,
mas que está sempre certo.


O diferente
começa a sofrer cedo,
já no primário,
onde os demais
de mãos dadas,
e até mesmo alguns adultos
por omissão,
se unem para transformar
o que é peculiaridade
e potencial
em aleijão
e caricatura.


O que é percepção
aguçada em:

“Puxa, fulana, como você é complicada”.


O que é o embrião
de um estilo próprio em:

“Você não está vendo como todo mundo faz?”



O diferente
carrega desde cedo
apelidos e marcações
os quais acaba incorporando.

Só os diferentes
mais fortes do que o mundo
se transformaram
(e se transformam)
nos seus grandes modificadores.


Diferente
é o que vê mais longe
do que o consenso.


O que sente
antes mesmo dos demais
começarem a perceber.

Diferente
é o que se emociona
enquanto todos em torno
agridem e gargalham.


É o que engorda mais um pouco;

chora onde outros xingam;

estuda onde outros burram.


Quer onde outros cansam.


Espera de onde já não vem.


Sonha entre realistas.


Concretiza entre sonhadores.


Fala de leite em reunião de bêbados.


Cria onde o hábito rotiniza.


Sofre onde os outros ganham.


Diferente
é o que fica doendo
onde a alegria impera.


Aceita empregos
que ninguém supõe.


Perde horas em coisas
que só ele sabe
importantes.


Engorda onde não deve.


Diz sempre na hora de calar.


Cala nas horas erradas.


Não desiste de lutar
pela harmonia.


Fala de amor
no meio da guerra.


Deixa o adversário
fazer o gol,
porque gosta mais
de jogar
do que
de ganhar.


Ele aprendeu
a superar riso,
deboche, escárnio,
e consciência dolorosa
de que a média é má
porque é igual.


Os diferentes aí estão:
enfermos,
paralíticos,
machucados,
engordados,
magros demais,
inteligentes
em excesso,
bons demais
para aquele cargo,
excepcionais,
narigudos,
barrigudos,
joelhudos,
carecas,
de pé grande,
de roupas erradas,
cheios de espinhas,
de mumunha,
de malícia
ou de baba.


Aí estão,
doendo e doendo,
mas procurando ser,
conseguindo ser,
sendo muito mais.

A alma dos diferentes
é feita de uma luz além.



Sua estrela
tem moradas deslumbrantes
que eles guardam
para os pouco capazes
de os sentir entender.


Nessas moradas
estão tesouros
da ternura humana.


De que só os diferentes
são capazes.

Não mexa
com o amor
de um diferente.
A menos que você
seja suficientemente forte
para suportá-lo depois.



Artur da Távola*
* Publicado n’O Globo, em 13/7/1986.

domingo, 1 de março de 2009

Saudades

Eu tenho saudades de tudo
que marcou a minha vida...
Quando vejo retratos,
quando sinto cheiros,quando escuto uma voz,
quando me lembro do passado.
Eu sinto saudades...Sinto saudades
de amigos que nunca mais vi,de pessoas com quem
não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades
da minha infância,do meu primeiro amor,
do meu segundo,
do terceiro,do último,
e daqueles que ainda
vou vir a ter.
Se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,provavelmente não será
do jeito que eu penso
que vai ser...Sinto saudades
de quem me deixou
e de quem eu deixei.
De quem disse que viria
e nem apareceu...
De quem apareceu correndo,
sem tempo de me conhecer
direito...
De quem nunca vou ter
a oportunidade de conhecer.Sinto saudades dos que se forame de quem não me despedi direito...
Daqueles que não tiveram
como me dizer adeus.
De gente que passou
na calçada contrária
da minha vida
e que só enxerguei
de vislumbre...

De coisas que eu tive
e de outras que não tive,
mas quis muito ter...

De coisas que nem sei
como existiram,
mas que se soubesse,de certo gostaria
de experimentar...
Quantas vezes tenho
vontade de encontrar
não sei o que,não sei aonde,para resgatar
alguma coisa que
nem sei o que ée nem onde perdi...Vejo o mundo girando
e penso que poderia estarsentindo saudades em
japonês,em russo,
em italiano,
em inglês.
Mas que minha saudade,só fala português embora,
lá no fundo possa ser poliglota.Aliás, dizem que se costuma
usar sempre a língua pátria,espontaneamente,
quando estamos
desesperados,para contar dinheiro,
fazer amor
e declarar sentimentos
fortes...

Seja lá em que lugar
do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples
"I miss you",ou seja lá como possamos
traduzir saudadeem outra língua,
nunca terá a mesma forçae significado da nossa
palavra.Talvez não exprima
corretamente a imensa
falta que sentimos de coisas
ou pessoas queridas.E é por isso que eu tenho
mais saudades...
Porque encontrei
uma palavra para usartodas as vezes que sinto
este aperto no peito,meio nostálgico
meio gostoso.

Mas que funciona melhor
do que um sinal vitalquando se quer falar
de vida e de sentimentos.Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis,de que amamos muito
do que tivemos e
lamentamos as coisas boasque perdemos ao longo
da nossa existência...Sentir saudade é sinal
de que se está Vivo!





~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Quando um coração
que está cansado de sofrer
encontra um coração
também cansado de sofrer

É tempo de se pensar
que o amor
pode de repente chegar


Quando existe alguém
que tem saudade de alguém
e esse outro alguém
não entendeu

Deixa esse novo amor chegar
mesmo que depois
seja imprescindível chorar

Que tolo fui eu
que em vão tentei raciocinar
nas coisas do amor
que ninguém pode explicar


Vem
nós dois vamos tentar
só um novo amor
pode a saudade
apagar...................................................

O direito a fantasia

O DIREITO À FANTASIA. DEUS tem sido muito bom comigo.

Além de dar-me muita energia para fazer meu trabalho,
tem sempre enviado-me amigos verdadeiros.

Ah! E como me apareceram
amigos inimagináveis esta semana!!!

Gente que surgiu do nada
me cobrindo de atenção e carinho!

DEUS, tem guiado-me também todos os dias
pelo caminho do amor, único e Incondicional.

Deu-me um anjo da guarda muito especial.

Mas antes de enviar-me esse anjo, encheu-o de poderes...

Deu-lhe a força...a coragem...a paciência,
e os olhos mais perfeitos que possam existir
além do céu e da terra, para que com eles,
pudesse guiar-me por todos os caminhos
por onde passei, e ainda vou passar.

Deu-lhe força para que se eu caisse,
pudessse carregar-me em suas asas...

Deu-lhe coragem para que ensinasse-me
a enfrentar todos os riscos que vida oferece...

E acreditar que, "arriscar";
é tudo que Vale a pena!

Deu-lhe também, tolerância
para ajudar-me a conviver
com as criaturas humanas...

E assim, tem sido esse nosso caminhar,
ou muitas vezes, Voar...

E ele, incansávelmente
vive nos limites comigo!

Entre o céu, a terra, e o espaço que eu Crio
e os que infelzimente são destruidos!

Porque é impossível construir o NOVO sobre o VELHO!

Este, é o meu mundo!
E poderia também ter sido o seu!
Porque independente de tudo,
o que acontece ou aconteceu
meu mundo vai muito além da Lenda...
Meu mundo é muito maior que EU

Talvez

Talvez EU Já tenha acreditαdo num mundo perfeito,
com pessoαs perfeitαs,
momentos perfeitos.

Já tenha sido alguém que já ouviu de muitαs pessoαs
o que não deveria e, por isso, já falou, também,
muitα coisα que não queriα.

Já tenha sido alguém que já errou muito,
mas já acertou muito também.

Já tenha sido alguém que já perdeu muito por orgulho,
mas, por ele mesmo,
já gαnhou e conquistou muita coisa também.

Já tenha sido alguém, que já deixou passar
momentos e oportunidades,
e acabou levαndo o troco errado para casa!
Sou, hoje, um homem que
aprendeu e está aprendendo a viver,
que está aprendendo a ser feliz de verdade,
com coisas que são a própria felicidade!

Alguém que cada dia mais
acredita que para ser feliz
não é preciso carro novo,
roupas novas ou casa maravilhosa
com todas as coisas no lugar

Aprendi que para ser feliz é preciso pouca coisa material
e muito amor no coração!


Aprendi que o amor é antes de tudo
uma proposta de vida que sobrepuja todas as outras.

... APRENDI QUE:As pessoas não chegam até nós
sem que haja uma forte razão...
Nem vão embora de nossas vidas,
sem que machuquem demais o coração



Nada nesta vida acontece sem que nós tenhamos atraído
.....
Nossas perdas foram por nós construídas
....
Igualmente, as nossas vitórias.
...
Não é coisa de Deus, de nossa religião, ou mesmo do acaso
.....
Somos os únicos que construímos a nossa evolução.
É assim com as pessoas que vêm até nós
.....
Foram, como um ímã, atraídas, por pensamentos, palavras e atitudes
....
A maior força é, sem qualquer duvida, uma promessa!!!!
Se não acontecer nesta vida,
certamente vai acontecer em outra!
Mas de uma coisa é preciso ter absoluta consciência
............... .........
Vai acontecer...........
CONSELHO: Não importa o que lhe disseram...
Você pode voar além das realidades..
Além das estrelas...
Atravessar o portal ..
Ver a luz e escutar a música..
há magia nessa passagem.

Não ligue para o tempo,
esteja aqui,agora...
Não tenha medo!
Atravesse o portal e sorria,
Além das estrelas...
Rumo ao infinito...
Só depende de ti
e talvez esta seja
a última chamada
para o embarque!
Pense bem:
O que tens a perder?

A vida requer coragem e ousadia!

Os sonhos, “Não morrem jamai

Uma surpresa inesquecível

"Uma surpresa inesquecível"

*Pra você, pode ser só, (duas) palavras.Porém digo que é um nome próprio, e o falo com propriedade:
*Já criei frases e já fui assunto de livros.*Já fui oposto e às vezes, apenas uma vírgula nas linhas de alguém.*Já fiz o papel de prefixo para o sujeito e já fui o sufixo de outros.*Estamos sujeitos a tudo nesse mundo de palavras.*Já fui uma partícula apassivadora e, por vezes, verbo no imperativo.*Já fui um ponto final, mas já abri muitos outros travessões.*Já fui citação,*já fui pauta*Já fui exceção à regra.*Já fui acento agudo, mas também faço as vezes de acento grave.*Sou predicado*Sou conjunção*Sou preposição*Sou só uma muleta lingüística.*Estou no dicionário de muita gente.*Em alguns existe um risco sobre o meu nome*E, em outros, um sublinhado.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


Amor perfeito ou nos tornamos seres perfeitos quando descobrimos o amor verdadeiro... Mais sobre o amor...Com certeza absoluta o amor
não tem um interruptor liga/desliga
ou um software especifico;
não está à venda em lugar nenhum...

Mas seguramente é o sentimento
mais fabuloso que existe...

Amar é "olhar para dentro"
e basicamente é uma forma
de conhecer imediatamente,
e por inteiro, a verdade....

Sem necessidade de artimanhas,
da lógica ou do intelecto....

É a percepção clara de uma realidade,
sem intermediação,
sem necessidade de interpretações...!

E, com certeza,
é um dos melhores companheiros de viagem
durante nossa permanência aqui...

Ele anda de braços dados com o espírito,
de eterna busca, da descoberta...

Fica perto de quem acredita em si mesmo.

Gosta de quem freqüentemente
esquece o raciocínio lógico, linear....
O amor, adora quem deixa de lado
os números, as convenções,
o pré-estabelecido
e também de quem muitas vezes
deixa de lado a disciplina,
a ordem, as regras, os esquemas prontos,
e acredita na sua capacidade de amar,
na sua sintonia com o infinito...


Amar é ter noção
da nossa multi-dimensionalidade,
da imortalidade da Alma,
da perfeição do Criador......
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
O que é o amor? Mas o que é, afinal, o amor?
Senão, diante dos olhos dos outros
e diante de nosso querido e amigo espelho,
quando nos vemos ”BOBOS”
e sabemos muito bem porquê?

Quando abandonamos nossas máscaras,
nossas pretensões hipócritas de representarmos
e somos apenas seres indefesos
diante de um turbilhão de sentimentos...

Quando a gente se esconde,
se esquece da razão
e vê tudo pelos olhos da emoção....
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Saudade Saudade é não saber como encontrar tarefas
que lhe cessem o pensamento,
não saber como frear as lágrimas
diante de uma música...

É não saber como vencer
a dor de um silêncio que nada preenche...
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~ Coragem~
É preciso coragem, já dizia um amigo meu...
Mas coragem para o que? Eu retruquei.

Para tudo...
Hoje fico pensando nesta verdade.
Realmente é preciso coragem
para se exercer o que se escreve.
Para se fazer o que se ensina
e para entendermos os revezes da vida.

Sem coragem tudo fica sem sentido
porque é muito mais cômodo desistir.

É mais tranqüilo buscarmos culpados
para as nossas falhas
e para os nossos insucessos.

Sim, é preciso coragem.

Sem ela a vida deixa de ser vida,
porque não enfrentamos as adversidades de frente.

E é com ela, só com ela, nossa amiga adversidade
que aprendemos a entender
o que fazemos nesta vida
e como conseguimos evoluir.

Sim, é preciso coragem.

Sem ela não conseguimos enfrentar
a escuridão dos desafios do nosso dia-a-dia.

Sem ela não temos forças
para abandonar a negritude
de nossos pensamentos odiosos.

Sem ela jamais iremos desembainhar nossa espada
e nem compreender o porquê das mãos
que ontem nos afagaram e aplaudiram
e hoje nos atiram pedras.

Sim, é preciso coragem.

Coragem que a realidade
é a mãe do desafio
e a senhora de nosso sucesso.

Coragem que dá vida à vida.

Coragem que se antecipa
às nossas mudanças
e dá “cor” às nossas vitórias.

Sim, é preciso coragem
para se dizer não
quando se quer dizer não
e sim quando nosso coração grita por isso.

Só assim conseguiremos ser mais fortes.

Únicos e independentes.

Ninguém pode nos possuir...

É livre-arbítrio a nossa entrega.

A posse é matéria, a entrega é o amor.

Sim, é preciso, é necessário coragem
para conseguirmos derrotar o nosso maior inimigo

– Nós mesmos.

E mais ainda, é preciso, é vital
muita coragem para vivermos o perdão
e ai, somente aí conseguiremos entender
o verdadeiro amor.

Finalmente é preciso coragem para SONHAR,
para acreditar que a vida é construída por nós
e só nós decretamos o nosso sucesso.

Sim, acredite é assim mesmo.

Noites de insonia

Estou sempre ouvindo
pessoas de gênio forte dizerem:
“eu tenho personalidade”.
e conversando,
ouvi de profissionais da ärea
que achava ridículo pessoas de “gênio” forte
serem classificadas como “de personalidade”.
Do wikipedia:
O termo deriva do grego persona,
com significado de máscara,
designava a “personagem”
representada pelos atores no palco.

Todas as pessoas têm sua personalidade,
ela é delimitadora de sua relação com seus iguais
e a máscara que todos usam,
nas suas relações interpessoais.

A formação da personalidade
é processo gradual, complexo e único a cada indivíduo,
pode-se dizer que é a soma total
de como o indivíduo interage e reage
em relação aos demais.
Ou seja, cada ser humano possui sua personalidade.
É individual. seja ela histérica ou pacata.
é quase uma identidade.
então, realmente é grosseiro dizer
que quem é tranquilo, tímido, discreto
não tem personalidade.
só porque a pessoa não chega alardeando
ou conversando com todo mundo
não significa que seja desprovida
de “ser”.
ter personalidade é isso.
é ser. do jeito que se é.
da forma como se aprendeu, cresceu, formou-se.
não, eu não sou uma pessoa
que passa despercebido.
mesmo que eu tente.
Pra começar tenho um jeito de antipático, altivo,rebelde
(coisa que eu não me acho!!! )
mas, me parece que isso
se tornou um fardo.
as pessoas esperam certas atitudes de mim
que nem sempre é aquilo que eu
realmente faria.
às vezes tenho vontade de sumir,
ficar quieto, silencioso.

e querem barulho!
a minha personalidade
é de uma pessoa determinada,
curiosa, intrigada, questionadora, sagaz.
mas meu estado de espírito varia
e meu humor também.
só que eu faço de tudo
para não deixar transparecer isso pra ninguém
Vou falar mais um pouco.
Eu sou temperamental.
facilmente irritável.
Não tenho tolerância para burrices.
diga-se burrice aquelas coisas óbvias
que são tão óbvias
mas que as pessoas têm preguiça
de pensar e chegar a conclusão.
sou intolerante com gente gross ou sem educação
(aquelas que acham que todos são obrigados a servirem-nas).
perco a paciência fácil
quando pessoas que trabalham servindo
chegam de cara feia,
e te tratam como um ser desprezível
que está ali atrapalhando o tempo delas.
fico muuuito de mau-humor quando pego trânsito.
Odeio estupidez.e não sei falar bem de mim.
conheço meus defeitos como ninguém.
conheço e reconheço.
mas qualidades?
sei lá, quando alguém pergunta,
eu digo sempre que nas situações
que estou de cabeça fria,
eu uso bem meu cérebro
e consigo controlar com certo exito
minhas reações!
Só isso! e, pronto.
é, não sou modesto quanto à minha inteligência.
não me acho um gênio,
mas me considero fazendo parte da maioria
e por isso respondo assim.
Tenho muito amigos inteligentes,
e assim fica mais fácil falar sobre isso.
Eu gosto de gente inteligente.
Que sabe pensar,
que sabe conversar, discutir.
que sabe diferenciar ironia de deboche.
adoro escrever.
e ler também.
Ou seja , tirando tudo o que eu tenho de ruim,
sou um docinho!
É, acho que é isso Moça Bonita.

Aprendi com você, que o amor é um sentimento que vibra na alma
e nesse vibrar me faz renascer, voltando a crer na felicidade e na paz.
Aprendi com você, a emoção novamente, rindo meu riso gostoso, chorando minhas lágrimas tristes.
Descobri a importância das coisas simples,
apreciando cada respirar
e ao olhar o dia, me lembrar que estou vivo.
Aprendi amando você, que o amor não se aprende,simplesmente se sente como agora sinto.
Descobri com você, a essência da nossa natureza,
que nascemos do e para o amor.
Aprendi que é muito difícil aprender quando não nos disposmos a tal;
e que acada nova lição, novas lágrimas, experiências.
Aprendi muito, mas o mais importante é ter aprendido, amando você,
o renascer parauma nova vida,
mesmo você não estando presente fisicamente,
não importa,
o importante é que esta me ensinando a ter paciência
Pois a felicidade existe!


se você continuar a fazer o que sempre fez, continuarás a ter o que sempre tivestes

Vivo ou morto

VIVO OU MORTO

(meu reino por uma pessoa interessante )


Não sei mais o que fazer das minhas noites durante a semana.
Em relação aos finais de semana já desisti faz tempo:
noites povoadas por pessoas
com metade da minha idade e do meu bom senso.

Nada contra adolescentes,
muitos deles até são mais interessantes
e vividos do que eu,
mas tô falando dos de "fabricação em série".

Tô fora de dançar os hits das rádios
e ter meu braço ou cabelo puxado por um garoto
que fala tipo assim, gata, iradíssimo, tia.

Tinha me decidido
a banir a palavra "balada" da minha vida
e só sair de casa para jantar,
ir ao cinema ou talvez um ou outro barzinho cult,
desses que tem aberto aos montes
em bequinhos charmosos.

Mas a verdade é que por mais que eu ame minhas amigas,
a boa música e um bom filme, sinto falta de um amor.

Já tentei paquerar em cafés e livrarias,
não deu muito certo,
as pessoas olham sempre pra mim
com aquela cara de "tô no meu mundo, fique no seu".Tentei aquelas festinhas que amigos fazem
e que sempre te animam a pensar
"se são meus amigos, logo devem ter amigos interessantes".

Infelizmente, essas festinhas são cheias de casais
e um ou outro esquisito desesperado pra achar alguém
só porque os amigos estão todos acompanhados.

Tô fora de gente desesperada, ainda que eu seja quase uma.Baladas playbas com garotas prontas para um casamento
e rapazes que exibem a chave do Audi,
tô mais do que fora.

Baladas playbas com garotas praianas hippie-chique
que falam com voz entre o fresco e o nasalado
(elas misturam o desejo de ser meigas
com o desejo de ser manos
com o desejo de ser patos)
e rapazes garotos-propaganda Adidas
com cabelinho playmobil,
também tô fora.

MUNDO IDIOTA.
O que sobra então?

Barzinhos de MPB?
Nem pensar.
Até gosto da música,
mas rapazes que fogem do trânsito para bares abarrotados,
bebem discutindo a melhor bunda da firma
e depois choram "tristeza não tem fim, felicidade sim"
no ombro do amigo
têm grandes chances de ser aquele tipo
que se acha superdescolado
só porque tirou a gravata
e porque fala tudo metade em inglês, ao estilo
"quero te levar pra casa, how does it sound?"

Para dançar, os muquifos eletrônicos alternativos são uma maravilha,
mas ainda que eu não seja preconceituosa com esse tipo,
não estou a fim de beijar bissexuais sebosos, drogados
e com brinco pelo corpo todo.Tô procurando o pai dos meus filhos, não uma transa bizarra.

Minha mais recente descoberta
são as baladinhas também alternativas de rock.

Gente mais velha, mais bacana, roupas bacanas,
jeito de falar bacana, estilo bacana, papo bacana.
Gente tão bacana que se basta e não acha ninguém bacana.
Na praia, quem é interessante além de se isolar acorda cedo,
aí fica aquela sensação (verdadeira)
de que só os idiotas vão à praia e às baladinhas praianas.Orkut, MSN, chats. me pergunto onde foi parar
a única coisa que realmenteimporta e é de verdade nesta vida:
a tal da química.
Mas então onde, meu Deus?
Onde vou encontrar gente interessante?
O tempo está passando,
meus ex já estão quase todos casados,
minhas amigas já estão quase todas
pensando no nome do bebê.
E eu?
Até quando vou continuar achando
todo mundo idiota demais pra mim
e me sentindo a mais idiota de todos?

Foi então que eu descobri.Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora,
pensando as mesmas coisas,
com preguiça de ir
nos mesmos lugares furados e ver gente boba,
com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez
e voltar pra casa vazio
ou continuar embaixo do edredom
lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito.A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa.

Não é triste pensar que
quanto mais interessante uma pessoa é,
menor a chance de você vê-la andando por aí?
Tatiane Bernardi





Uma pessoa é única ao estender a mão,
e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
William Shakespeare

Destino

DESTINO...
É preciso que assim seja...

É preciso -
e é nisto que consiste nossa evolução
- que jamais encontraremos nada
que não nos pertença
há já muito tempo...


A ciência já teve muitas vezes
de modificar as suas concepções
sobre o movimento ;

assim nós teremos de aprender,
pouco a pouco,
que aquilo a que denominamos destino
não vem de fora
mas sim de nós próprios...

O futuro é fixo,
nós é que estamos sempre
em movimento
no espaço ilimitado...


O homem teme todas as novidades
que não sente a altura de enfrentar
e cujo epílogo é imprevisível...

Natal

No Natal de minha infância,
atendia mendigos que batiam palmas
diante do portão.

Não existia campainha.
Eles gritavam:
- Ó de casa.

Conheciam a vizinhança de cor.

Chegavam a tirar o chapéu
ou a boina na hora de falar.

Chamavam qualquer pessoa
de senhor ou senhora,
independente da idade.

Podia ser até criança, tanto fazia.

Com respeito (ou seria ternura?), perguntavam se havia
algum pão velho para dar.

Eram elegantes e educados,
sem o golpe das feridas
e das histórias forjadas,
sem mentiras
e receitas de hospital.

Não cobravam pão novo e quentinho,
nada que pudesse
ser retirado da mesa.

Queriam algo
que fosse sobrar na despensa. Lembro que ofereci
um pão recente
e o mendigo devolveu no ato:

- Não, quero um velho,
este sua mãe pode precisar.
Fico pensando que
nunca mais recebi
pedido semelhante.


Hoje o mendigo não pergunta, exige.

E xinga se não recebe a solicitação.

E amaldiçoa independente da reação.

Perdemos a delicadeza do antigo,
do trato, do pão velho.

Não aproveitamos mais
os sentimentos
que já foram usados,
os amores
que já foram consumidos,
as amizades
que esqueceram de telefonar.

Não aceitamos a velhice
sequer de um dia.

Não aceitamos a velhice
sequer de uma hora.

Não aceitamos a velhice
sequer de uma palavra.

Nosso armário,
nosso guarda-roupa,
o dicionário,
a gaveta,
o bidê são asilos.

As lembranças são os parentes
que não visitamos.

Empilhamos frases e nomes
em um canto
jurando voltar
e não voltamos.

Guardamos livros e vidas
em um canto
jurando voltar
e não voltamos.

Porque acreditamos infelizmente
que não presta
o que aconteceu ontem.

Nossa indigência
é emocional e pode se infiltrar
em qualquer contra-cheque
ou classe social.

É rancorosa e agressiva.

Uma indigência
que não tenciona compreender,
que está cobrando antes
de ouvir a resposta.

Uma indigência ofensiva,
desaforada.

Uma indigência arrogante
que não iguala,
mas divide.

Em vez de ir atrás,
ficamos esperando.

Em vez de agradecer,
reclamamos
o que não recebemos.

Em vez de ouvir o outro lado,
apressamos em falar.

Em vez de respeitar,
cobramos.


Nem o mendigo,
nem ninguém
deseja
o que não é do dia.

Não se recolhe os farelos
como unhas de criança.

Não se lê mais cartas
nas figuras da toalha de mesa.

Ou se procura
o nome de um amor
no macarrão.


Ou se adivinha o passado
na borra do café.


Sinto falta da minha avó em casa
para abençoar o pão velho
em uma sopa.


Por enquanto
somos os pássaros.


Mas haverá o momento
em que seremos
as migalhas.


fabricio carpinejar

Pai

Pai...


Mãe de olhos mansos.

Sei que estás invisível
em todas as coisas.

Que o teu nome me seja doce,
a alegria do meu mundo.


Traze-nos as coisas boas
em que tens prazer:o jardim,
as fontes,
as crianças,
o pão e o vinho,os gestos ternos,
as mãos desarmadas,
os corpos abraçados...


Sei que desejas dar-me
o meu desejo mais fundo,
desejo cujo nome esqueci...

Mas tu não esqueces nunca.



Realiza, pois,
o teu desejo
para que eu possa rir.

Que o teu desejo se realize
em nosso mundo,da mesma forma
como ele pulsa em ti.


Concede-nos contentamento
nas alegrias de hoje,o pão, a água, o sono...


Que sejamos livres
da ansiedade.

Que nossos olhos
sejam tão mansos
para com os outroscomo os teus
o são para conosco.


Porque se formos ferozes
não poderemos acolher
a tua bondade.

E ajuda-nos
para que não sejamos
enganados
pelos desejos maus.
E livra-nos daquele
que carrega a morte
dentro dos próprios olhos
. Amém.

Pai Nosso - Rubem Alves



E foi ísso PAI

E quando nenhuma prece,
nenhuma oração
diz o que eu queria dizer...

Descubro que certas coisas
não precisam ser ditas.

Apesar de tudo,
vou guardar somente
as coisas boas.

Definições

De fini ções







Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta um capítulo.

Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo" é pouco.

Pouco é menos da metade.

Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.

Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro de sua cabeça.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Agonia é quando o maestro de você se perde completamente.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Renúncia é um não que não queria ser ele.

Sucesso é quando você faz o que sempre fez só que todo mundo percebe.

Vaidade é um espelho onisciente, onipotente e onipresente.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Orgulho é uma guarita entre você e o da frente.

Ansiedade é quando sempre faltam 5 minutos para o que quer que seja.

Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada em especial.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Alegria é um bloco de Carnaval que não liga se não é Fevereiro...

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.

Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia.

Perdão é quando o Natal acontece em outra ápoca do ano.

Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.

Excitação é quando os beijos estão desatinados pra sair de sua boca depressa.

Desatino é um desataque de prudência.

Prudência é um buraco de fechadura na porta do tempo.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Emoção é um tango que ainda não foi feito.

Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Desejo é uma boca com sede.

Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.

Não.

Amor é um exagero...
também não.

É um "desadoro"...

Uma batelada?
Um exame,
um dilúvio,
um mundaréu,
uma insanidade,
um destempero,
um despropósito,
um descontrole,
uma necessidade,
um desapego?

Talvez porque não tivesse sentido,
talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor não sei explicar...


Adriana Falcão

Do coração de uma mulher

A bem da verdade,
não sou
essa mulher fatal
que você pensa
que eu sou.

Aquelas histórias
de sedução
foram todas inventadas
e esse ar superior,
de quem sabe lidar
com a vida,
é apenas autodefesa.

Aquelas frases
filosóficas,
foram só
pra te impressionar,
pra te passar
essa ilusão
de intelectual...



Na verdade
eu ainda nem sei
se acredito nos valores
que me ensinaram,
quanto mais
em frases feitas
e opiniões formadas!
Senta aí, vai!



Deixa eu tirar
os sapatos,
desmanchar
o penteado,
retirar
a maquiagem...


quero te mostrar
que assim de perto

não sou tão bonita
quanto pareço,

por isso uso
todos esses artifícios.



É que no fundo
tenho um medo
terrível
de que você
me ache feia,
de que você
encontre em mim
uma série
de imperfeições.
Sabe,

não quero
mais usar
essa máscara
de mulher inatingível,
de mulher forte
com punhos de aço...



No íntimo me sinto
uma pequena ave
indefesa,
leve demais
para enfrentar
o vento,

e, deseja ficar
no aconchego
do ninho
e ser mimada

até adormecer.

Olha pra mim,
às vezes
minha intimidade
não tem brilho algum
e você terá
que me amar muito
para suportar
essa minha impotência.

Deixa eu
tirar o casaco,
tirar o cansaço...

essa jornada dupla
me deixa tão carente...



A convicção
de independência afetiva?



É tudo balela!



Eu queria mesmo
era dividir
a cama,
a mesa,
o banho...

Queria dividir
os sentimentos,
os sonhos,
as ilusões...

um pedaço de torta,
uma xícara de café,


algum segredo...

Ah,
eu tenho
andado por aí,
tenho sido
tantas mulheres
que não sou!



Quantas vezes
me inventei
e até me convenci
da minha identidade.
Administrei
minha liberdade.



Tomei aviões,
tomei whisky...

troquei a lâmpada,
abri sozinha
o zíper do vestido...

decidi o meu destino
com tanta segurança!



Mas não previ
que na linha
da minha vida
estivesse demarcada
uma paixão inesperada.


Agora,
cá estou eu,
trinta e poucos anos
e toda atrapalhada,
tentando

um cruzar de pernas diferente,

um olhar mais grave,

um molhar de lábios sensual...


mas não sei direito
o que fazer
para agradar.

Confesso que isso
me cansa um pouco.


Queria mesmo
era falar
de todos
os meus medos,

"dos seus medos?"

- você diria, como se eu nunca
tivesse temido nada.

Queria te falar
das minhas marcas
de infância,

dos animais que tive,

do meu primeiro
dia de aula...


queria falar

dessas coisas
mais elementares,


e te levar na casa
da minha mãe,


te mostrar
meu álbum de retrato

(eu, me equilibrando
nos primeiros passos),


ah,

queria te mostrar
minha primeira bicicleta,

com truques.



Ela ainda existe!



Queria te mostrar
as árvores que eu plantei
(como elas cresceram!)
e cansei de subir e cair
até fazer estas marcas
que trago hoje nos joelhos

e todas essas coisas
que são
tão importantes
pra mim
e tão insignificantes
aos outros.

Ah,
você queria falar
alguma coisa?


Está bem!


Antes,

só mais uma coisinha:


estou morrendo
de medo
que você saia
desta cena
antes de mim,


que você saia
à francesa
desta história,


e eu tenha
que recolocar
minha máscara


e me reinventar,
outra vez.

Eu não quero

Eu não quero falar sobre isso
Eu posso dizer,
pelos teus olhosque você provavelmente
esteve sempre chorando
e as estrelas no céu
não querem dizer nada
para voce
elas são apenas
um espelhoEu não quero falar
sobre isso
De como você
partiu meu coração
Se eu ficar aqui
um pouquinho
mais de tempo
Se eu ficar aqui,
tu não ouvirás
o meu coração?
O meu coração?Se eu suporto
tudo sozinho,E quando
as sombras cobrem
as cores do meu coraçãoo azul das minhas lágrimas
e o escuro das noites

Você tocou meu coração

Eu gostaria
de ser aquela
que poderia
transformar sua vida.


Ser aquela
que poderia
tirar você
para sempre
dos braços da solidão,
porque você,
eu nem sei como
e nem me lembro
o momento,
tocou meu coração.


Eu te mostraria
que há outras coisas
além da vida
de todos os dias,
dos problemas
e do trabalho.


Poderia ser sua princesa,
sua rainha,
sua bem feitora,
sua amiga,
sua amante
ou simplesmente
uma mulher.


Não possuo dons especiais
e minha varinha de condão
é tão invisível e intocável
quanto o amor que possuo.



Mas meu coração quente
poderia aquecer
sua vida
e meu olhar
poderia te cobrir
de ternura.


Diga somente uma palavra
e eu venho correndo,
te transporto
e num afago
tiro você
desse mundo.



Tudo isso porque
você
com seu jeito
diferente
me fez sentir
mais viva
quando tocou
meu coração...




Letícia Thompson

Separação

Desmontar a casa e o amor.

Despregar os sentimentos
das paredes e lençóis.
Recolher as cortinas após a tempestade das conversas.
O amor não resistiu às balas, pragas, flores e corpos de intermeio.

Empilhar livros, quadros, discos e remorsos.
Esperar o infernal juizo final do desamor.


Vizinhos se assustam de manhã ante os destroços junto à porta: -pareciam se amar tanto!


Houve um tempo: uma casa de campo, fotos em Veneza, um tempo em que sorridente o amor aglutinava festas e jantares.


Amou-se um certo modo de despir-se de pentear-se.
Amou-se um sorriso e um certo modo de botar a mesa.

Amou-se um certo modo de amar.

No entanto,
o amor bate em retirada com suas roupas amassadas,
tropas de insultos malas desesperadas,
soluços embargados.


Faltou amor no amor?
Gastou-se o amor no amor?
Fartou-se o amor?

No quarto dos filhos outra derrota à vista: bonecos e brinquedos pendem numa colagem de afetos natimortos.


O amor ruiu
e tem pressa de ir embora envergonhado.

Erguerá outra casa,
o amor?
Escolherá objetos,
morará na praia?
Viajará na neve
e na neblina?


Tonto, perplexo, sem rumo um corpo sai porta afora com pedaços de passado na cabeça e um impreciso futuro.
No peito
o coração pesa mais que uma
mala de chumbo.



Affonso Romano de Sant'AnnaColeção "Poesia Falada

Razões para amar sem porque


Razões para amar
sem porque*




Há algumas razões
para amar sem porquê.

Mas não posso
dizer com certeza
quais são elas.

Sabê-las com exatidão,
como quem resolve
uma multiplicação,
tornariam todas as coisas
estupidamente tangíveis
(o que acabaria
com o emprego dos poetas
e dos vendedores
de algodão doce).

No entanto,
posso me atrever
a citar ao léu,
despretensiosamente,
como quem rabisca
palavras ao vento,
algumas razões
nada definitivas
para amar
sem porque:

-Permitir passivamente que o sol
invada as esquinas do seu corpo;

-Escutar no vento
poemas nunca escritos;

-Dedilhar
melodias circulares no violão;

-Dedilhar
melodias circulares no peito;

-Dedilhar;

-Sonhar um vôo macio
e lento pela noite ;

-Saltitar quadrados
desenhados nas calçadas;

-Receber uma carta
e esperar até o último segundo
para abri-la;

-Escutar no escuro
a lenta respiração
da outra pessoa;

-Ver nas nuvens
uma onda do mar;

-Ver no mar
as nuvens do céu;


-Equilibrar pelas manhãs
um sorriso besta
em frente ao espelho
do banheiro;

-Perder-se no meio da leitura
e surpreender-se imaginando
sua própria história;

-Chutar uma tampinha
até a outra esquina;

-Afundar a cabeça no travesseiro
até não suportar o calor;

-Contar estrelas
até perder a conta
do que é estrela
e do que é você...

Saudades...

Sinto saudades
de tudo que marcou
a minha vida.
Quando vejo retratos,
quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz,
quando me lembro do passado,eu sinto saudades...Sinto saudades
de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem
não mais falei ou cruzei...Sinto saudades
da minha infância,do meu primeiro amor,
do meu segundo,
do terceiro,do penúltimo
e daqueles que ainda vou ter,
se Deus quiser...Sinto saudades
do presente,que não aproveitei de todo,lembrando do passadoe apostando no futuro...Sinto saudades
do futuro,que se idealizado,provavelmente não será
do jeito que eu penso
que vai ser...Sinto saudades
de quem me deixou
e de quem eu deixei!


De quem disse que viriae nem apareceu;de quem apareceu correndo,sem me conhecer direito,de quem nunca vou ter
a oportunidade de conhecer.Sinto saudades
dos que se foram
e de quem
não me despedi direito!Daqueles que não tiveramcomo me dizer adeus;de gente que passou
na calçada contrária
da minha vidae que só enxerguei
de vislumbre!Sinto saudades
de coisas que tivee de outras que não tivemas quis muito ter!Sinto saudades
de coisasque nem sei se existiram.Sinto saudades
de coisas sérias,de coisas hilariantes,de casos, de experiências...Sinto saudades
do cachorrinho que eu tive um diae que me amava fielmente,
como só os cães são capazes de fazer!Sinto saudades
dos livros que li
e que me fizeram viajar!Sinto saudades
dos discos que ouvi
e que me fizeram sonhar,Sinto saudades
das coisas que vivie das que deixei passar,sem curtir na totalidade.Quantas vezes tenho vontade
de encontrar não sei o que...não sei onde...para resgatar alguma coisa
que nem sei o que é
e nem onde perdi...Vejo o mundo girando
e penso que poderia
estar sentindo saudades


Em japonês, em russo,em italiano, em inglês...mas que minha saudade,por eu ter nascido no Brasil,que só fala português,
embora, lá no fundo,
possa ser poliglota.Aliás, dizem que
costuma-se usar sempre a língua pátria,espontaneamente quandoestamos desesperados...para contar dinheiro...
fazer amor...declarar sentimentos fortes...seja lá em que lugar do mundo estejamos.Eu acredito que um simples"I miss you"ou seja lácomo possamos traduzir
saudade em outra língua,nunca terá a mesma força
e significado da nossa palavrinha.Talvez não exprima corretamentea imensa faltaque sentimos de coisasou pessoas queridas.E é por isso que eu tenho mais saudades...


Porque encontrei uma palavrapara usar todas as vezesem que sinto este aperto no peito,meio nostálgico, meio gostoso,mas que funciona melhordo que um sinal vitalquando se quer falar de vidae de sentimentos.Ela é a prova inequívocade que somos sensíveis!
De que amamos muitoo que tivemose lamentamos as coisas boasque perdemos
ao longo da nossa existência..."


~~~~~~~~Clarice Lispector - saudades

Se você puder...

Se você puder manter a calma,
quando todos à sua voltajá a perderam,
culpando-o por isso;


Se você puder confiar em si,
quando todos duvidam de você,mas puder também
levar em consideração
as dúvidas deles;


Se você souber esperar
e não se cansar de esperar,ou ao ser enganado,
não recorrer à infâmia,ou ao ser odiado,
não der espaço para a raiva,e não queira, nunca,
nem parecer muito bom,
nem muito sábio;


Se você puder sonhar
– e não fazer dos sonhos o seu senhor;


Se você puder pensar
– e não fazer de seus pensamentos a sua meta;


Se você puder confrontar-se
com o triunfo e com a derrotae tratar estes dois impostores
da mesma maneira;

Se você puder ouvir
o que você falou ser distorcidoem armadilha para apanhar os ingênuos,ou ver destruídas as coisas
pelas quais você deu a sua vida,juntar os pedaços,
e reconstruí-las com base
nos mesmos princípios;

Se você puder juntar
todas as suas vitóriase colocá-las todas em risco
num tudo ou nada,e perder,
e iniciar tudo outra vez,
desde o começoe nunca deixar escapar
uma só palavra sobre suas perdas;

Se você puder forçar seu coração,
seus nervos e seus músculos,para recomeçar tudo
depois deles se terem esgotado,e ainda agüentar
mesmo quando
não há mais nada em vocêexceto o desejo
para dizer para eles:
“Agüentem!”

Se você puder conviver com o povo
sem perder suas virtudes,ou conviver com os reis
sem perder sua simplicidade;

Se nem os desafetos
e nem seus melhores amigos
puderem machucá-lo,

Se muitos contam com você,
mas nenhum depende só de você;

Se você puder preencher o valor
do inclemente minuto perdidocom os sessenta segundos
ganhos numa longa corrida,
sua será a Terra,
junto com tudo que nela existe,

e - mais importante –

você será um Homem, meu filho!



(Rudyard Kiplin)

Como escolho meus amigos

"Escolho meus amigos
não pela pele
ou outro arquétipo qualquer,
mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador
e tonalidade inquietante.
A mim não interessam
os bons de espírito
nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles
que fazem de mim
louco e santo.
Deles não quero resposta,
quero meu avesso.

Que me tragam
dúvidas e angústias
e agüentem
o que há de pior
em mim.
Para isso,
só sendo louco.

Quero-os santos,
para que não duvidem
das diferenças
e peçam perdão pelas injustiças.Escolho meus amigos
pela cara lavada
e pela alma exposta.
Não quero só o ombro ou o colo,
quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto
não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim:
metade bobeira,
metade seriedade. Não quero risos previsíveis
nem choros piedosos.
Quero amigos sérios,
daqueles que fazem da realidade
sua fonte de aprendizagem,
mas lutam para que a fantasia
não desapareça. Não quero amigos
adultos nem chatos.
Quero-os metade infância
e outra metade velhice.
Crianças,
para que não esqueçam
o valor do vento
no rosto
e velhos, para que nunca
tenham pressa. Tenho amigos
para saber quem eu sou.

Pois os vendo
loucos e santos, bobos e sérios,
crianças e velhos,
nunca me esquecerei de que normalidade
é uma ilusão
imbecil e estéril."

Oscar Wilde