Eu, Nerli

Espalhe seu sorriso, Espalhe seu olhar, Espalhe sua luz, Espalhe seu aroma, Espalhe sua juventude, Espalhe suas emoções, Espalhe felicidade, Espalhe você... Então, o mundo ao seu redor será bonito, azul, e terá encontrado o Amor em tudo. (escrito pra mim em 1983)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Eu sei que vou te amar

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

15 anos

Hoje, filha , você está completando 15 anos…
Que emoção para um coração de mãe que foi escolhida por você para te trazer ao mundo!
Deus foi muito bom comigo. Ele me deu a oportunidade de fazer parte da sua vida, e fazendo parte dela, é que desejo de todo coração, que você seja muito feliz.
A menina de riso frouxo cresceu, transformou-se em uma linda jovem que deixou pra trás o mundo das bonecas e fantasias infantis para fazer parte do mundo maduro e complicado dos adultos.
Ainda hoje, olho pra você e vejo nos seus olhos a mesma alegria e esperteza que via quando você era criança.
É fascinante ver como o tempo passa rápido e principalmente ver como ele se torna indefeso diante da sua personalidade forte.
Estou certa que nem o tempo e nem as dificuldades serão fortes o bastante para modificar o seu jeitinho, e talvez por isto você continuará sendo sempre a minha garotinha.
Estar ao seu lado nesse dia e poder compartilhar desta alegria é saber que independente de qualquer coisa, continuaremos sempre ligadas pelos laços do amor e da família.
Gostaria de desejar mil coisas e dar meus conselhos e minhas dicas de mãe. Mas hoje quero apenas desejar que você tenha tudo que deseja e o seu aniversário seja inesquecível.
Que Deus ilumine todos os dias de sua vida.
Feliz Aniversário!







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sábado, 9 de maio de 2015

Dia das Mães

Mãe

Mãe lê pensamento, 
tem premonição, 
sonhos estranhos...
Conhece cara de choro, 
de gripe, 
de medo, 
entra sem bater, 
liga de madrugada, 
pede favor chato, 
palpita e implica com amigos, 
namorados, 
escolhas... 
Mãe da a roupa do corpo, 
dá tempo, 
dá dinheiro, 
dá conselho, 
dá cuidado, 
dá proteção,
dá piti... 
Mãe da um jeito, 
da um nó, 
da bronca, 
da força... 
Mãe cura cólica, 
cura porre, 
cura tristeza, 
cura pânico noturno, 
e medos diurnos... 
Mãe espanta monstros, 
pesadelos, 
mosquitos, 
perigos... 
Mãe tem intuição e é messiânica: mãe salva. 
Mãe guarda tesouros, 
conta histórias, e tem lembranças. 
Mãe é arquivo! 
Mãe exagera, 
exaure, 
extrapola. 
Mãe transborda, 
inunda, 
transcende...
AMOR!
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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato.

Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha.
Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade.
Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. 
Comer o queijo seria a suprema felicidade…
Bem pertinho é modo de dizer.
Na verdade, o queijo estava imensamente longe porque entre ele e os ratos estava um gato… 
O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. 
Por vezes fingia dormir. 
Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho…
Os ratos odiavam o gato.
Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. 
O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro…
Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. 
Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. 
Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. 
“Quando se estabelecer a ditadura dos ratos”, diziam os camundongos, “então todos serão felizes”…
- O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.
- Socializaremos o queijo, dizia outro.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções.
Era comovente ver tanta fraternidade. 
Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam. 
Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. 
Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem: crescem sempre. 
E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: “o queijo, já!”…
Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. 
O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. 
Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco. 
Olharam cuidadosamente ao redor. 
Aquilo poderia ser um truque do gato. 
Mas não era.
O gato havia desaparecido mesmo. 
Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria. 
Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. 
E foi então que a transformação aconteceu.
Bastou a primeira mordida. 
Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. 
Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.
Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. 
Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. 
Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto queijo haviam comido. 
E os olhares se enfureceram.
Arreganharam os dentes. 
Esqueceram-se do gato. 
Eram seus próprios inimigos. 
A briga começou. 
Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. 
E, ato contínuo, começaram a brigar entre si.
Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem. 
O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”.
Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando. Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido.
O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato o olhar malvado, os dentes à mostra.
Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. 
E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. 
Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. 
Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.
“Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência!”
Rubem Alves – escrito em dezembro de 2004

RATO CAPA


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domingo, 8 de março de 2015

Très Jolie

Très Jolie
"Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...
E poder ter a absoluta certeza de que esse alguém
também pensa em mim quando fecha os olhos e
que faço falta quando não estou por perto"
Mario Quintana
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O mar

"Diego não conhecia o mar. 
O pai, Santiago Kovakloff, levou-o para que descobrisse o mar. 
Viajaram para o Sul. 
Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. 
Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. 
E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. 
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: 
- Pai, me ensina a olhar!

Eduardo Galeano in "O livro dos abraços"
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Namorados

Namorados (Augusto Dias)
Namorados são folhas ao vento
Primavera que se principia
Toque suave,
Pele macia,
Bolhas insufladas
Por juramentos
Que explodem ao nascer do dia.
Contemplam a lua cheia
De sentimentos
Têm um ponto de vista
Sheakespereano
Não importa se ela é de câncer
Ainda menos
Qual o ascendente dele;
Basta ser libriano.
Namorados são só sintonia,
Puro link
Mesmo que o coração
As vezes brinque
Ouvem sempre a mesma melodia
Querem ser tocados,
Jamais machucados
Pela própria poesia.
Se estão juntos,
O tempo parece voar.
Separados,
As horas ficam a se arrastar.
O dia vira noite,
A noite torna-se madrugada,
Um vira mapa do outro,
Os dois:
Uma bússola desregulada.
Namorados são tesouros
Não importa se veteranos
Fazem sempre muitos planos
Como fossem eternos calouros.
Sofrem reveses, até desenganos
Elaboram teses para evitar danos
Quando comem bombons
Debaixo do lençol.
Distantes são chuva,
Ela como viúva
Do seu último raio de sol.
Namorados dão presentes especiais:
Imãs com frases de Borges,
Cavalos brancos sem alforjes,
Fotos travestidos como super-heróis
Músicas para quando estiverem a sós
E poemas com rimas ridículas
Que se transformam em partículas
Ingênuas e geniais.
Namorados, enfim,
São assim mesmo,
Todos iguais.
Gritam forte
Seus amores a esmo
Porque ouviram do poeta
Que o amor acaba.
Ainda assim,
Insistem no recomeço.
Pois só quem já teve um,
Sabe que vivê-lo
Não tem preço.
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