quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O que eu quero num homem

Eu quero um homem que... - Lista Original:

1. Seja lindo,
2. Encantador,
3. Financeiramente estável,
4. Um bom ouvinte,
5. Divertido,
6. Em boa forma física,
7. Se vista bem,
8. Aprecie as coisas mais finas,
9. Faça muitas surpresas agradáveis,
10. Seja um amante criativo e romântico.
*________________________________________*
Eu quero um homem que... - Lista Revisada (aos 32 anos)
1. Seja bonitinho,
2. Abra a porta do carro e afaste a cadeira pra eu me sentar,
3. Tenha dinheiro o suficiente para um jantar agradável,
4. Ouça mais do que fale,
5. Ria das minhas piadas,
6. Carregue as sacolas do mercado com facilidade,
7. Tenha no mínimo uma gravata,
8. Aprecie comida caseira,
9. Lembre de aniversários e datas especiais,
10. Procure romance pelo menos uma vez porsemana.
*_______________________________________*
Eu quero um homem que... - Lista Revisada (aos 52 anos)
1. Não seja muito feio,
2. Espere eu me sentar no carro antes de começar a acelerar,
3. Tenha um emprego fixo - goste de jantar fora ocasionalmente,
4. Balance a cabeça enquanto eu falo,
5. Geralmente se lembre das frases mais engraçadas de algumas piadas,
6. Esteja em boa forma pelo menos para mudar a mobília de lugar,
7. Use camisetas que cubram sua barriga,
8. Não compre cidra achando que é champagne,
9. Se lembre de abaixar a tampa da privada,
10. Faça a barba quase todos os finais de semana.
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Eu quero um homem que... - Lista Revisada (aos 62 anos)
1. Corte os pêlos do nariz e das orelhas,
2. Não se coce nem cuspa em público,
3. Não pegue dinheiro emprestado o tempo todo,
4. Não balance a cabeça até dormir enquanto eu estou reclamando,
5. Não conte a mesma piada o tempo todo,
6. Esteja em boa forma para conseguir levantar da poltrona nos finais de semana,
7. Normalmente use uma meia combinando com a outra e cuecas limpas,
8. Aprecie um bom jantar a frente da TV,
9. Lembre do meu nome de vez em quando,
10. Faça a barba em alguns finais de semana.
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Eu quero um homem que... - Lista revisada (aos 72 anos)
1. Não assuste as crianças pequenas,
2. Lembre onde fica o banheiro,
3. Não peça muito dinheiro,
4. Ronque bem baixinho quando dorme,
5. Lembre o porquê de estar rindo,6. Esteja em boa forma para ficar de pé sozinho,
7. Normalmente use um pouco de roupa,
8. Goste de comida macia,
9. Lembre onde deixou seus dentes,
10. Saiba quando é fim de semana.
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Eu quero um homem que... - Lista Revisada (aos 82 anos)
Quero um homem que Respire...
*_______________________*

domingo, 18 de outubro de 2009

Antiguidades


Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela
com um testo de borralho em cima.
Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.)
Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.
A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção.
Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo.
Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava.
Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada...
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais!
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível.
Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada.
Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada.
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
Por dá-cá-aquela-palha,
ralhos e beliscão.
Palmatória e chineladas
não faltavam.
Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
"Tomando propósito".
Expressão muito corrente e pedagógica.
Aquela gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira.
Não poupava as crianças.
Mas, as visitas...
- Valha-me Deus !...
As visitas...
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas !
Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversar
que davam sono.
Antiguidades...
Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntosde licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita - alta, magrinha.
Lili - baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:"
- Lili é a bengala de D. Benedita".
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio.
D. Joaquina Amâncio...
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava.
O pessoal da casa,
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
Rendidos de sono, davam o fora.
No fim, só ficava mesmo, firme,
minha bisavó.
D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço.
Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando "causos" infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
De manhã cedo
quando acordava,
estremunhada,
com a boca amarga,
- ai de mim -
via com tristeza,
sobre a mesa:
xícaras sujas de café,
pontas queimadas de cigarro.
O prato vazio, onde esteve o bolo,
e um cheiro enjoado de rapé.
Cora Coralina

Ter ou não ter namorado, eis a questão

Atribuído a
Carlos Drummond de Andrade,
mas é de Artur da Távola
Quem não tem namorado
é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo.

Namorado é a mais difícil das conquistas.
Difícil porque namorado de verdade é muito raro.

Necessita de adivinhação,
de pele,
saliva,
lágrima,
nuvem,
quindim,
brisa ou filosofia.
Paquera,
gabira,
flerte,
caso,
transa,
envolvimento,
até paixão é fácil.

Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito,
mas ser aquele a quem se quer proteger
e quando se chega ao lado dele
a gente treme,
sua frio,
e quase desmaia pedindo proteção.
A proteção dele
não precisa ser parruda ou bandoleira:
basta um olhar de compreensão
ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado
não é quem não tem amor:
é quem não sabe o gosto de namorar.
Se você tem três pretendentes,
dois paqueras,
um envolvimento,
dois amantes
e um esposo;
mesmo assim pode não ter nenhum namorado.
Não tem namorado
quem não sabe o gosto da chuva,
cinema,
sessão das duas,
medo do pai,
sanduíche da padaria
ou drible no trabalho.

Não tem namorado
quem transa sem carinho,
quem se acaricia
sem vontade de virar lagartixa
e quem ama sem alegria.

Não tem namorado
quem faz pactos de amor
apenas com a infelicidade.
Namorar
é fazer pactos com a felicidade,
ainda que rápida,
escondida,
fugidia
ou impossível de curar.

Não tem namorado
quem não sabe dar o valor
de mãos dadas,
de carinho escondido
na hora que passa o filme,
da flor catada no muro
e entregue de repente,
de poesia de Fernando Pessoa,
Vinícius de Moraes
ou Chico Buarque,
lida bem devagar,
de gargalhada quando fala junto
ou descobre a meia rasgada,
de ânsia enorme
de viajar junto para a Escócia,
ou mesmo de metrô,
bonde,
nuvem,
cavalo,
tapete mágico
ou foguete interplanetário

Não tem namorado
quem não gosta de dormir,
fazer sesta abraçado,
fazer compra junto.

Não tem namorado
quem não gosta de falar do próprio amor
nem de ficar horas e horas
olhando o mistério do outro
dentro dos olhos dele;
abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado
quem não redescobre a criança
e a do amado
e vai com ela a parques,
fliperamas,
beira d'água,
show do Milton Nascimento,
bosques enluarados,
ruas de sonhos
ou musical da Metro.

Não tem namorado
quem não tem música secreta com ele,
quem não dedica livros,
quem não recorta artigos,
quem não se chateia com o fato
de seu bem ser paquerado.

Não tem namorado
quem ama sem gostar;
quem gosta sem curtir
quem curte sem aprofundar.

Não tem namorado
quem nunca sentiu o gosto
de ser lembrado de repente no fim de semana,
na madrugada
ou meio-dia do dia de sol
em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado
quem ama sem se dedicar,
quem namora sem brincar,
quem vive cheio de obrigações;
quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado
quem confunde solidão
com ficar sozinho e em paz.

Não tem namorado
quem não fala sozinho,
não ri de si mesmo
e quem tem medo de ser afetivo

Se você não tem namorado
porque não descobriu que o amor é alegre
e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos.
Ponha a saia mais leve,
aquela de chita,
e passeie de mãos dadas com o ar.

Enfeite-se com margaridas e ternuras
e escove a alma com leves fricções de esperança.
De alma escovada e coração estouvado,
saia do quintal de si mesma
e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui
e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela.
Ponha intenção de quermesse em seus olhos
e beba licor de contos de fada.
Ande como se o chão estivesse repleto
de sons de flauta
e do céu descesse
uma névoa de borboletas,
cada qual trazendo uma pérola falante
a dizer frases sutis
e palavras de galanteio...

Se você não tem namorado
é porque não enlouqueceu aquele pouquinho
necessário para fazer a vida parar e,
de repente,
parecer que faz sentido...


Artur da Távola
Título do livro: Amor a sim mesmo (Não digitei errado; o trocadilho está mesmo no título.) A edição é uma coletânea das crônicas de Távola.

Uma arte

A arte de perder
não tarda aprender;

tantas coisas parecem feitas
com o molde da perda
que o perdê-las
não traz desastre.

Perca algo a cada dia.
Aceita o susto
de perder chaves,
e a hora passada embalde.

A arte de perder
não tarda aprender.

Pratica perder mais rápido
mil coisas mais:
lugares,
nomes,
onde pensaste
de férias ir.

Nenhuma perda
trará desastre.

Perdi o relógio de minha mãe.

A última,
ou a penúltima,
de minhas casas queridas
foi-se.

Não tarda aprender,
a arte de perder.

Perdi duas cidades,
eram deliciosas.

E,
pior,
alguns reinos que tive,
dois rios, um continente.

Sinto sua falta,
nenhum desastre.

- Mesmo perder-te a ti
(a voz que ria, um ente amado),
mentir não posso.

É evidente:
a arte de perder muito
não tarda aprender,
embora a perda
- escreva tudo!
- lembre desastre.


Uma arte - Elisabeth Bishop
Por A/C

sábado, 17 de outubro de 2009

E agora, José?






E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?
E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?

Carlos Drummond de Andrade

Olhos Azuis


Dois olhos azuis,

olhando o horizonte….

com o pensamento longe,

muito longe daqui….

olhos de saudades,

de sonhos…

olhos de amores não esquecidos,

despercebidos…

dois olhos lindos,

de amizades conquistadas,

Olhos de criança,

perdidos no tempo,

a procura de algo..

Dois olhos longe de casa,

longe do colo,

longe da terra….

Olhos de menina,

de mulher…

olhos que todo homem quer….

Dois olhos brilhantes

de uma sonhadora,

bravinha…

Olhos azuis de uma mulher que vai vencer…

E que vai deixar saudades…

olhos de uma menina que quer sonhar…

arriscar…

e quem sabe…

tentar voar……

Voa criança,

voa atrás dos seus desejos…





Mazinho bh.



Primavera!!!!


Mientras el aire en su regazo lleve

Perfumes y armonías,

Mientras haya en el mundo primavera,

¡Habrá poesía!


(G.A Becquer)

Eu perdi o meu medo
o meu medo, o meu medo
da chuva...
Pois a chuva
voltando pra terra,
traz coisas do ar...

Raul Seixas

SELF PROMOTION

Às vezes sou :
folgada,
esquisita,
teimosa,
chata,
cheia de manias,
irresponsável,
nervosinha,
seletiva,
abusada,
mal-criada,
explosiva,
rude,
desaforada,
ignorante,
franca ao extremo,
insegura,
boba,
abobada,
bruta,
amadinha,
tonta,
muito esperta,
cafona,
afobada,
lerda,
precipitada,
indecisa,
manipuladora,
irritada,
grosseira,
delicada,
sarcástica,
encapetada,
gagá,
indiferente,
furiosa,
visceral,
estressada,
brega,
infantil,
despirocada,
palpiteira,
obstinada,
briguenta,
cabeça de vento,
moleca,
cabeça de bagre,
desmiolada,
desprezível,
atrevida,
espaçosa,
maliciosa,
ingrata,
orgulhosa....

Tirando isso, sou um docinho...

AC

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Poemas inconjuntos - 2



Poemas Inconjuntos - 2
Fernando Pessoa
(Interpretação livre de Antônio Abujamra)

Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio.

Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.

É preciso também não ter filosofia nenhuma.

Com filosofia,
não há árvores,
há idéias apenas.

Há só cada um de nós como uma cave.

Há só uma janela fechada,
e todo mundo lá fora.

E um sonho do que se poderia ver
se a janela se abrisse,

que nunca é o que se vê
quando se abre a janela.



2008: 120 ANOS DO NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA.










Dois vôos

Porque pode voar todo aquele que tem o pensamento livre...


Em tese


- Você sabe como funciona computador?


- Em tese, sei.


- Verdade?


- Não. Na verdade, não sei nem como funciona televisão.


- Eu não sei como funciona rádio.


- Já me explicaram.


Tem algo a ver com ondas sonoras que se propagam pelo ar.

As ondas estão aqui, a nossa volta.

O rádio apenas retransforma-as em som.


- Quer dizer, uma história altamente improvável.


- Eu não acreditei.


- Telefone eu já não entendo.


- Pois eu vou dizer uma coisa,

já que você levantou o assunto.


- Diga.


- Eu não tenho muita certeza de como funciona fechadura.


- Quer ouvir uma coisa?


- Diga.

- Eu não sei como funciona torneira.


- Pois então te prepara.


- o quê?


- Eu não entendo tesoura.


- Espera um pouquinho.

Tesoura eu sei.


- Verdade?


- Tesoura eu domino.

Pelo menos em tese.


Luis Ferando Veríssimo. O que dizem. In: Novas Comédias da Vida Pública - A versaõ dos Afogados. 2° edição. Pág. 38._____________________________

O mal


O mal,
lembra Peter Pan;
possui o privilégio horrível
e apavorante
da juventude eterna."
(Graham Greene)
Fui ser feliz e já volto!
=)

El amor

El amor,
como ciego que es,
impide a los amantes
ver las divertidas tonterias que cometen.

El amor de los jóvenes en verdad
no está en su corazón,
sino más bien en sus ojos.
El amor no mira con los ojos,
sino con el alma.
El amor no prospera en corazones
que se amedrentan de las sombras.
La prosperidad es el más seguro lazo de amor.

Miserable es el amor
que puede ser remedio.
¡Oh amor poderoso!
que a veces hace de una bestia un hombre,
y otras de un hombre una bestia.
Oír con los ojos es una de las agudezas del amor.
Se puede hacer mucho con el odio,
pero más aún con el amor.

WILLIAM SHAKESPEARE

Começando pelo amor...

Começando pelo amor...


O amor essencialmente é união,


e naturalmente a busca:


para ali pesa,


para ali caminha,


e só ali pára...






Tudo são palavras de Platão,

e de Santo Agostinho.

Pois se a natureza do amor é unir,

como pode ser efeito do amor o apartar?




Assim é,

quando o amornão é extremado e excessivo.

As causas excessivamente intensas

produzem efeitos contrários.

A dor faz gritar;
mas se é excessiva,
faz emudecer:

a luz faz ver;
mas se é excessiva,cega:

a alegria alenta e vivifica;
mas se é excessiva,mata.

Assim o amor:
naturalmente une;
mas se é excessivo,divide:

Fortis est ut mors dilectio:

o amor, diz Salomão,
é como a morte.

Como a morte, rei sábio?

Como a vida, dissera eu.

O amor é união de almas;

a morte é separação da alma:

pois se o efeito do amor é unir,

e o efeito da morte é separar,

como pode ser o amor
semelhante à morte?

O mesmo Salomão se explicou.
Não fala Salomão de qualquer amor,

senão do amor forte?

Fortis est ut mors dilectio:

e o amor forte,
o amor intenso,
o amor excessivo,
produz efeitos contrários.

É união,
e produz apartamentos.

Sabe-se o amor atar,
e sabe-se desatar

como Sansão:
afetuoso, deixa-se atar;
forte, rompe as ataduras.

O amor sempre é amoroso;

mas umas vezes
é amoroso e unitivo,

outras vezes
amoroso e forte.

Enquanto amoroso e unitivo,
ajunta os extremos mais distantes:

enquanto amoroso e forte,
divide os extremos mais unidos.


Começando pelo amor - ANTONIO VIEIRA. Sermão do Mandato. Brasília: Editora Universidade de Brasília: São Paulo):

AC










terça-feira, 6 de outubro de 2009

Adeus a Mercedes Sosa

Morre Mercedes Sosa...

leia:


Leia:http://www.clarin.com/diario/2009/10/04/um/m-02012095.htm




Años
El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer
En cada conversación cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo de razón
Passam os anos e como muda o que eu sinto
O que ontem era amor vai se tornando outro sentimento
Porque anos atrás tomar tua mão roubar-te um beijo
Sem forçar o momento fazia parte de uma verdade
El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer (como ayer)
En cada conversación cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo de razón
Vamos viviendo viendo las horas
Que van pasando las viejas discusiones
Se van perdiendo entre las razones
A todo dices que si
a nada digo que no para poder construir
Esa tremenda armonia que pone viejo los corazones
Porque el tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer
En cada conversación cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo de temor
Vamos vivendo vendo as horas
Que vão passando as velhas discussões
Vão se perdendo entre as razões
A tudo dizes que sim
a nada digo que no para poder construir
Esa tremenda armonia que pone viejo los corazones
El tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer
En cada conversación cada beso cada abrazo
Se impone siempre un pedazo de razón
Porque el tiempo pasa nos vamos poniendo viejos
Yo el amor no lo reflejo como ayer...