sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Começando pelo amor...

Começando pelo amor...


O amor essencialmente é união,


e naturalmente a busca:


para ali pesa,


para ali caminha,


e só ali pára...






Tudo são palavras de Platão,

e de Santo Agostinho.

Pois se a natureza do amor é unir,

como pode ser efeito do amor o apartar?




Assim é,

quando o amornão é extremado e excessivo.

As causas excessivamente intensas

produzem efeitos contrários.

A dor faz gritar;
mas se é excessiva,
faz emudecer:

a luz faz ver;
mas se é excessiva,cega:

a alegria alenta e vivifica;
mas se é excessiva,mata.

Assim o amor:
naturalmente une;
mas se é excessivo,divide:

Fortis est ut mors dilectio:

o amor, diz Salomão,
é como a morte.

Como a morte, rei sábio?

Como a vida, dissera eu.

O amor é união de almas;

a morte é separação da alma:

pois se o efeito do amor é unir,

e o efeito da morte é separar,

como pode ser o amor
semelhante à morte?

O mesmo Salomão se explicou.
Não fala Salomão de qualquer amor,

senão do amor forte?

Fortis est ut mors dilectio:

e o amor forte,
o amor intenso,
o amor excessivo,
produz efeitos contrários.

É união,
e produz apartamentos.

Sabe-se o amor atar,
e sabe-se desatar

como Sansão:
afetuoso, deixa-se atar;
forte, rompe as ataduras.

O amor sempre é amoroso;

mas umas vezes
é amoroso e unitivo,

outras vezes
amoroso e forte.

Enquanto amoroso e unitivo,
ajunta os extremos mais distantes:

enquanto amoroso e forte,
divide os extremos mais unidos.


Começando pelo amor - ANTONIO VIEIRA. Sermão do Mandato. Brasília: Editora Universidade de Brasília: São Paulo):

AC










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