A arte de perder
não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas
com o molde da perda
que o perdê-las
não traz desastre.
Perca algo a cada dia.
Aceita o susto
de perder chaves,
e a hora passada embalde.
A arte de perder
não tarda aprender.
Pratica perder mais rápido
mil coisas mais:
lugares,
nomes,
onde pensaste
de férias ir.
Nenhuma perda
trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe.
A última,
ou a penúltima,
de minhas casas queridas
foi-se.
Não tarda aprender,
a arte de perder.
Perdi duas cidades,
eram deliciosas.
E,
pior,
alguns reinos que tive,
dois rios, um continente.
Sinto sua falta,
nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti
(a voz que ria, um ente amado),
mentir não posso.
É evidente:
a arte de perder muito
não tarda aprender,
embora a perda
- escreva tudo!
- lembre desastre.
Uma arte - Elisabeth Bishop
Por A/C
domingo, 18 de outubro de 2009
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