quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Crescendo

Tive que crescer sem ninguém perguntar se eu queria e muito menos me ensinar como seria. Nunca, nada me doeu tanto quanto crescer. Trocaram minhas figurinhas de chicletes por contas a pagar, telefone de plástico foi substituído por vozes que me lembram dos meus compromissos, meu relógio de plástico que sequer marcava as horas me mostra a todo momento que o tempo passou. Não posso mais nem ir aonde eu quero. Antes, me bastava um barquinho de papel, o tanque cheio d'água e alguns minutos de silêncio para eu dar a volta ao mundo. Hoje, me cobram R$ 3,00 para ir de um bairro ao outro. A verdade é que eu nunca quis crescer e com isso aprendi a brincar de viver. E eu brinco tanto que nunca canso. Estou sempre com um sorriso no rosto, pronto para o que der e vier. É que eu guardei dentro de mim a criança, e dou vida a ela sempre que preciso. Quando está tudo ruim eu fecho os olhos, fico em silêncio, me escondo na minha mente, coloro meu dever de casa e imagino que tudo vai ficar bem. Pego meus lápis de cor e coloro o mundo, levo alegria a quem chora e arranco risada de quem queria chorar. Infantil? Não! Só a maturidade lhe permite ser menor do que você é. E não há jeito melhor de crescer. Ontem, eu olhei no espelho e vi rugas em meu rosto. Lembrei da primeira vez em que eu vi rugas, aos sete anos e minha mãe me disse: "Você não tem rugas, menina". Parece que foi ontem, eu corri na direção da minha mãe a chorar e gritei: "Mãe, mãe. Eu tenho rugas". Hoje eu vejo os cabelos brancos que estão na cabeça dela, os cabelos que não mais estão na cabeça do meu pai e descobri que agora não posso mais correr para a cama deles quando eu tiver com medo. Vou ter que guardar um espaço na minha cama para quando eles tiverem medo. Pensando bem, não é a gente que cresce. É o mundo que muda de tamanho e esquece de nos avisar.

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