também não existe preparação para o momento de olhar o primeiro filho.
Examinei seu rosto, seus dedos, as dobras das suas perninhas , os contornos de suas orelhas...
Prendia o ar quando ela suspirava...
ria quando ela bocejava,
espantava-me quando ela apertava meu dedo .
Não me cansava de olhar pra ela.
Deveria haver uma canção para todas as mães cantarem nessa hora,
ou uma prece para se rezar...
Talvez não existam porque não há palavras fortes o bastante
para expressar a magia desse momento.
Como todas as mães, desde a primeira, sentia-me
triunfante e despojada...
exultante e destruída...
Acabava de fazer a travessia.
Minha infância ficava pra trás...
Vi eu mesma como criança no colo de minha mãe
e vislumbrei minha própria morte...
Chorei... e sabia que era um choro de alegria, um choro de alívio
Senti a presença muitas mães
Elas estavam todas alí, comigo, quando segurei
minha filha Ana Flávia pela primeira vez...
E essa sensação se repetiu, anos depois com o nascimento
de meus outros filhos, Isabela e Rafael...


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